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UMA REVISTA SEM FINS LUCRATIVOS

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Evento discute estratégias para implementar metas do Acordo de Paris

A FGV Energia participou do “1st International Summer School in Economic modelling of Environment Energy and Climate - Modelling approaches to assess NDCs and mid-century strategies”. O evento, promovido pelo Centre International de Recherche sur l’Environnement et le Développement (CIRED), foi realizado de 4 a 8 de julho, em Paris.
O objetivo da escola de verão foi promover o intercâmbio científico entre os participantes sobre estratégias de implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) e metodologias de projeção de cenários usando modelos energéticos (abordagem bottom up e top down), modelos de equilíbrio geral computável (Computable General Equilibrium - CGE) e Modelos de Avaliação Integrada (Integrated Assessment Models - IAMs).
Além das palestras, foram promovidas sessões interativas com espaço aberto para os participantes discutirem seus temas de pesquisa e possíveis estratégias de monitoramento das NDCs no contexto nacional e global. No final do curso, o CIRED ainda se comprometeu em organizar e manter atualizada uma comunidade internacional sobre Modelagem Econômica de Meio Ambiente, Energia e Clima, da qual os participantes da escola de verão serão colaboradores. 
Acordo de Paris foi aprovado por 194 países que participaram da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) em 2015. Com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável, o acordo surgiu como forma de fortalecer a resposta dos países ao aquecimento global e a sua capacidade de adaptação aos impactos decorrentes das mudanças climáticas. Os signatários apresentaram as suas pretendidas NDCs, com as quais se comprometiam a reduzir o nível de suas emissões de gases de efeito estufa de modo a, no final do século XXI, manter o aumento da temperatura média global em até 2°C acima dos níveis pré-industriais, se esforçando para limitar este aumento a apenas 1,5°C.
Em junho de 2017, o acordo havia sido ratificado por 148 países da UNFCCC, que juntos representam 66% das emissões globais de GEE. Fazendo parte do grupo de países signatários do Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu em sua NDC a cortar as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo como base o ano de 2005. Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente vem procurando planejar uma estratégia nacional para a implantação e o financiamento das medidas referentes à NDC brasileira.

Pesquisa sobre redução de riscos nucleares da FGV recebe apoio de think tanks dos EUA

O projeto “Reducing Nuclear Risks in Brazil Through Democratic Governance”, do Centro de Relações Internacionais da FGV, recebeu apoio financeiro da Carnegie Corporation of New York e da Fundação John D. and Catherine T. MacArthur, ambos dos EUA. O objetivo das duas instituições financiadoras é promover projetos com uma abordagem de pesquisa inovadora na área de segurança nuclear. A pesquisa é conduzida pelo professor Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, sediado na Escola de Ciências Sociais da FGV (CPDOC).
A iniciativa visa identificar mecanismos internacionais de governança no setor nuclear com o objetivo de reduzir o risco de proliferação do terrorismo, bem como danos ambientais e à saúde, tirando vantagens da posição única que o Brasil goza no ordenamento nuclear mundial. Por ser um dos poucos países do mundo com capacidade instalada para enriquecer urânio e por ter um projeto sui generis de propulsão nuclear para submarinos, o país pode dar uma grande contribuição à comunidade internacional.
A diretora do Programa de Desafios Nucleares da Fundação MacArthur, Emma Belcher, afirma que a organização busca “projetos que possam ajudar a reduzir o risco nuclear ao demonstrar novas abordagens aos problemas existentes, criar parcerias novas e importantes, e produzir ideias por meio das quais governos e indústria possam atuar”. O projeto “Reducing Nuclear Risks in Brazil Through Democratic Governance” terá duração de dois anos.

Simpósio de Automação de Sistemas Elétricos

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Efeitos da Operação Lava-jato para as sociedades empresariais

Alemanha e UFMG estreitam relação e discutem novas parcerias na SBPC

Assunto foi a pauta de uma reunião realizada ontem (19/7) na Reitoria da Universidade com representantes de diversas instituições alemãs.

Com 90 anos de atuação, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) começa a traçar os rumos das próximas décadas: aumentar a internacionalização. Dentre os parceiros para este futuro, a Alemanha está no topo da lista, afirmou Jaime Arturo Ramírez, reitor da UFMG, em reunião com a delegação alemã durante a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nesta quarta-feira (19/7).
“Reconhecemos o papel e importância da Alemanha no desenvolvimento da ciência e de todas as áreas do conhecimento”, afirmou o Ramirez. A instituição, que sedia o evento da SBPC neste ano, mantém atualmente 40 acordos com universidades alemãs – a maior parte deles focada no intercâmbio.
A próxima parceria deve ser firmada com a Universidade de Münster. A cooperação com a UFMG deve incluir, além de intercâmbio de estudantes e pesquisadores, seminários, summer schools, projetos de ensino e pesquisa. “A assinatura do acordo em nível institucional está em fase de negociação com duas universidades”, complementou Anja Grecko Lorenz, do escritório do Centro Brasileiro da Universidade de Münster.
            Martina Schulze, diretora no Brasil do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), destacou que a Alemanha trabalha com universidades de destaque, com boa qualidade de ensino. Por isso, o país busca aproximação com instituições no Brasil. “A UFMG faz parte deste grupo, pois tem um perfil interessante e ótimos cursos de pós-graduação, além de ter muitos alunos que já estão estudando alemão”, afirmou Schulze.
Possíveis modelos – Uma das modalidades de cooperação que podem ganhar reforço segue um modelo bem-sucedido com a França. Em vigor há quatro anos, as Cátedras Franco-Brasileiras na UFMG promovem a troca de professores visitantes entre instituições dos dois países.
            “Nós temos programas de pós-graduação de base bastante sólida, portanto, evoluímos para um outro patamar de cooperação, que é a troca, e não simplesmente a compra de cursos para os nossos docentes no exterior, como foi no passado”, comentou Fábio Alves da Silva Júnior, diretor de Relações Internacionais da UFMG.
Segundo Silva, as novas cooperações devem seguir dois princípios: complementaridade e reciprocidade. Ou seja, a universidade no exterior tem que estar disposta a oferecer uma contrapartida financeira. Para viabilizar projetos futuros, o Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP) se dispôs a colaborar. “As universidades poderão contar com a nossa plataforma que reúne instituições de ensino e pesquisa”, reforçou Márcio Weichert, coordenador do DWIH-SP.
            Resultado da política de internacionalização do Ministério das Relações Externas da Alemanha e do Ministério de Educação e Pesquisa, o DWIH-SP foi criado em 2009 para aumentar a visibilidade do país europeu como polo científico e tecnológico. “Com as cooperações, nosso objetivo é fortalecer a pesquisa de ponta, de alto nível, feita no Brasil e na Alemanha, com benefícios para ambos os países”, afirmou Martina Schulze, do DAAD.

Seminário Saneamento Público

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Licenciamento ambiental norte-americano é alvo de estudo em novo livro

A Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV (Direito Rio) lançou, no dia 10 de julho, o livro “Direito Regulatório, Governança e Licenciamento Ambiental: Soluções para o Aperfeiçoamento do Licenciamento Ambiental Brasileiro”. A obra, de autoria de Romilson de Almeida Volotão, analisa as questões do direito regulatório e do licenciamento ambiental norte-americano e faz uma comparação com a legislação atualmente aplicada para o tema no Brasil.
O autor trata de um tema que afeta o dia-a-dia dos órgãos públicos e das empresas que submetem o pedido de licenciamento ambiental de empreendimentos de grande porte no Brasil. A questão é um dos maiores gargalos da administração pública, sendo comum que projetos sejam desenvolvidos por determinado órgão público ou entidade estatal e, na sua implantação pela iniciativa privada, são paralisados e, em muitos casos, rejeitados por outros órgãos e agências.
Em seus estudos divulgados no novo livro, Romilson vê como uma das soluções para essa questão a adoção do modelo dos Estados Unidos da Lead Agency, quando uma das agências é identificada para ser a líder de um grupo de agências que atuam em projetos complexos. Na pesquisa, ele levou em consideração o licenciamento ambiental de projetos do setor elétrico. O autor avaliou desde o marco regulatório do setor de meio ambiente e de energia até a racionalidade econômica das vantagens da adoção do arranjo de governança institucional proveniente do direito estrangeiro.
A obra apresenta uma crítica sobre os arranjos institucionais que já foram adotados no Brasil, a exemplo da Secretaria Especial de Portos, a Autoridade Pública Olímpica, entre outros órgãos criados. Para o autor, uma agência líder no Brasil pode servir de base à criação do arcabouço jurídico necessário ao aperfeiçoamento do processo de licenciamento ambiental, com efeitos positivos para a melhora da própria infraestrutura do país.
Para mais informações sobre o livro, acesse o site.

Competição estimula solução de problemas financeiros com técnicas matemáticas

O professor da Escola de Matemática Aplicada da FGV (EMAp), Rodrigo dos Santos Targino, vai participar do Fourth Financial Mathematics Team Challange, uma competição de Finanças Quantitativas em que equipes tentam solucionar problemas reais de finanças utilizando técnicas matemáticas. O evento acontece de 18 a 21 de julho na Universidade da Cidade do Cabo (UCT), na África do Sul.
Rodrigo atuará como mentor de uma das equipes. Cada time é formado por um docente e alunos de doutorado e mestrado, que vão trabalhar em um projeto diferente, proposto pelo mentor, em parceria com a indústria financeira.
No total, serão cinco equipes formadas por alunos da UCT, University College London (Reino Unido), Freiburg University (Alemanha) e da University of Technology Sydney (Austrália).
Para mais informações sobre o evento, acesse o site.

Monitoramento e Diagnóstico em Equipamentos de Alta Tensão


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Entrevista: Medicalizar problemas cotidianos faz mais mal a saúde do que a depressão, afirma Paulo Amarante

                                                                                                                                                        Por Eliane Bardanachvili

Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão. Por se tratar de problema para o qual não há um índice padrão de detecção, a depressão tornou-se um conceito maleável, posto a serviço dos interesses da indústria farmacêutica, para incrementar a venda de medicamentos. “Elegeu-se a depressão como doença a ser cada vez mais alargada, para abarcar situações da vida, como conflitos, desgosto, desemprego, separação, luto, e formatar como doença”, analisa o sanitarista Paulo Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), vice-presidente da Associação Brasileira de Coletiva (Abrasco), e presidente honoris causa da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), na entrevista ao blog do CEE-Fiocruz.

Paulo alerta quanto aos malefícios das drogas prescritas, em especial os antidepressivos, que podem ser mais prejudiciais do que aquilo que buscam combater. “Começou-se a observar que esses medicamentos geram dependência e que sua suspensão e retirada é tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. E praticamente não há serviço especializado no mundo nesse tipo de desintoxicação”, aponta. Os laboratórios farmacêuticos, no entanto, denuncia Paulo, encomendam e financiam pesquisas que patologizem o comportamento das pessoas diante de dificuldades cotidianas. Ele cita, entre as investigações realizadas nesse sentido, a do jornalista americano Robert Whitaker, vencedor em 2010 do Investigative Reporters and Editors Book Award, pelo livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental. O livro será lançado no Brasil em 3/7/2017, pela Editora Fiocruz.

Co-editor, com o pesquisador Fernando Freitas, do site Mad in Brasil, versão brasileira do site Mad in America, para integrar a comunidade de língua portuguesa à rede internacional, ampliando o diálogo voltado à construção de um novo paradigma de assistência psiquiátrica, Paulo também está concluindo um novo livro, Lugares da memória: causos, contos e crônicas, sobre loucos e loucuras. O livro reunirá relatos de situações que ele recolheu ao longo de sua trajetória e terá prefácio do antropólogo italiano Massimo Canevatti e Eduardo Torre.

O tema dos medicamentos prescritos será discutido em seminário internacional, a ser realizado pelo Laps, com apoio do CEE-Fiocruz, nos dias 30 e 31/10 e 1º/11/2017, no auditório da Ensp. Robert Whitaker está entre os nomes já confirmados, ao lado de Lisa Cosgrove, professora de Psicologia Clínica da Universidade de Massachussets-Boston, co-autora com o jornalista do livro Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma, e Jaakko Seikkula, da Finlância, à frente da experiência do Diálogo Aberto (Open Dialogue), abordagem que reduziu os diagnósticos de esquizofrenia no país. “A vida não é uma norma. Cada vida é muito pessoal”, observa Paulo. “O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades”.

Blog do CEE-Fiocruz: De que forma as drogas prescritas são um problema de saúde pública, e como está esse entendimento por parte da sociedade?

Paulo Amarante: A questão das drogas prescritas tem sido levantada há alguns anos. Tinha-se a concepção de que o uso das drogas psiquiátricas como tratamento para os transtornos mentais era um grande avanço da medicina, da bioquímica, da indústria farmacêutica. Isso vem desde os primeiros tratamentos, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o primeiro antipsicótico, a clorpromazina. De lá para cá, vieram sendo produzidos antipsicóticos de segunda e terceira gerações, antidepressivos etc. A ideia de avanço estava no imaginário dos profissionais. Isso, no entanto, passou a ser duramente questionado por psiquiatras que começaram a ver que não eram só as drogas psiquiátricas que possibilitavam uma ressocialização, como argumentava a indústria farmacêutica. A superação do modelo manicomial, da prática asilar, com a adoção de outras práticas de participação social, coletivização, resgatando os sujeitos, sem submetê-los a constrangimentos, segregação e exclusão, surtia efeito muito importante. Uma das marcas da ciência moderna é romper com essa explicação simplista de causa efeito, e, nesse caso, de que a causa do transtorno é uma alteração bioquímica.

O homem é um ser complexo, e as alterações bioquímicas não seriam causa, nem necessariamente efeito. É algo simultâneo; o homem pensa a partir de processos simbólicos e neuroquímicos ao mesmo tempo. A teoria do distúrbio neuroquímico vem sendo criticada desde a década de 1970, e só não cai devido a um forte interesse mercadológico. No caso dos antidepressivos, principalmente, pesquisas muito sérias mostram que eles têm efeito igual ou inferior ao placebo, à psicoterapia ou a outras abordagens não científicas, como as religiosas. Há ainda os grupos comunitários que se organizam para dar suporte, os amigos...

Blog do CEE-Fiocruz: Que pesquisas vêm sendo feitas nesse sentido?

Paulo Amarante: No âmbito da própria medicina, temos o Peter Gotzsche (ver aqui e aqui), um dos fundadores da Biblioteca Cochrane, que reúne pesquisas baseadas em evidências, e Joanna Moncrieff, da University College London, uma das fundadoras da Rede de Psiquiatria Crítica (ver aqui). Há também as pesquisas realizadas por formadores de opinião, como o jornalista Robert Whitaker, que ganhou o prêmio de jornalismo investigativo, em 2010, com o livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental, e a professora Lisa Cosgrove, da Universidade de Massachussets-Boston. A eficácia dos medicamentos passou a ser questionada, mostrando-se que podem ser auxiliares, paliativos, opcionais em alguma situação, mas não permanentemente, não exclusivamente.

Mais recentemente, começou-se a levantar, ainda, que os antidepressivos causam dependência química, levando a uma síndrome de abstinência quando retirados, confundida com recidiva da depressão. Sem o medicamento, a pessoa volta a ter um quadro depressivo, como se fosse um retrocesso. Como, ao receber o antidepressivo novamente, ela melhora, essa melhora é associada ao medicamento, como se fosse a mesma coisa que uma infecção, que pode voltar se o antibiótico for suspenso. Na verdade, o que há é uma situação de abstinência.

Blog do CEE-Fiocruz: Essas questões foram trazidas à tona pela OMS, que definiu a depressão como tema de campanha pelo Dia Mundial da Saúde de 2017, em abril...

Paulo Amarante: A OMS chamou atenção para o uso indiscriminado de antidepressivos, sua suspensão e retirada, tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. As pessoas não podem parar de imediato; têm sintomas de abstinência, como insônia, irritabilidade, palpitações, um mal estar por vezes insuportável. E não há serviço especializado no mundo em desintoxicação de antidepressivos; não há técnicas, estudos para lidar com isso, porque durante muito tempo a psiquiatria negou que esses medicamentos causariam síndrome de abstinência nesse nível. A OMS agora reconheceu pela primeira vez em dois relatórios importantes que os antidepressivos causam dependência e que seu uso da forma como se dá no mundo inteiro é um problema maior que a depressão em si. É como se disséssemos que o uso de antibiótico causa mais problemas que a infecção.

Blog do CEE-Fiocruz: O problema das drogas prescritas representa, então, mais um embate entre saúde e mercado...

Paulo Amarante: É sempre a política de mercado versus a política de saúde. O trabalho de Robert Whitaker mostra como a indústria farmacêutica e a classe psiquiátrica estão mancomunadas para produzir, com pesquisas, uma elasticidade no conceito de depressão de forma a abarcar situações da vida cotidiana como conflitos, desemprego, desgosto, separação, luto. Essas situações começaram a ser formatadas como depressão. De fato, é possível moldar um comportamento. Como o ser humano é muito sugestionável, se dissermos que o que ele tem é depressão, ele passa a ter. Se a mídia mostra depoimentos de pessoas importantes  que dizem “fui depressivo”, “tenho toque”, “tenho pânico”, isso causa um efeito...

Blog do CEE-Fiocruz: O que é depressão, afinal? Ela existe como doença?

Paulo Amarante: Não temos um critério definitivo. Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão, não há um índice padrão ou um índice médio permanente. Trata-se de um conceito, e, exatamente por ser tão maleável, tão subjetivo, tornou-se propício a que se elegesse a depressão como a doença a ser cada vez mais alargada. Pânico, obsessão-compulsão, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)... No caso dessa última, os pais são levados a mudar seu olhar para ver na criança não alguém rebelde, em crescimento, mas alguém com uma patologia. Problemas cotidianos, escola fracassada - não apenas a escola pública brasileira, mas o modelo de ensino, sua proposta já superada -, pobreza, falta de recursos, baixos salários, tudo contribui para uma piora do quadro. Há também as situações de crise evolutivas, como entrada na terceira idade, iniciação na vida sexual, incapacidade de realização de ato sexual, saída da primeira infância para a puberdade, entrada na vida adulta, crises de identidade que podem vir acompanhadas de uma certa situação depressiva. E o comportamento das pessoas diante das dificuldades acaba sendo patologizado. O livro de Allen Frances, Salvando o normal (Saving the normal - ver aqui), é uma crítica a essa ampliação do conceito de anormalidade.

Blog do CEE-Fiocruz: O que é importante entendermos sobre normalidade e anormalidade?

Paulo Amarante: A vida não é uma norma, há diferentes padrões, cada vida é muito pessoal. Podemos inventar a doença, ampliar o conceito de doença e patologizar todo o sofrimento, ou podemos inventar e ampliar o conceito de saúde. O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades - pois elas existem - criando-se normas. A normatividade é a capacidade do ser vivo de criar normas; elas não existem de antemão. A saúde está em lidar com a situação de doença. O câncer é normal na vida; se há um corte no braço, o organismo encontra um caminho para o sangue passar, ou cria a cicatriz para organizar a pele, assim como cria a febre para reagir à infecção. Essa capacidade de criação de normas é muito pessoal. Há princípios gerais, mas nunca são universais e idênticos. O título do livro de Allen Frances, Saving the normal, que da tradução em inglês seria Salvando o normal, traz um conceito interessante: salvar o normal é admitir que existe o normal e que nem tudo pode ser considerando patológico. A editora no Brasil, no entanto, traduziu o título para Voltando ao normal, o que muda totalmente o sentido, pois parte-se do princípio de que há um padrão a ser buscado, ao qual retornar. Não estamos falando de padrão, mas de normatividade, da capacidade de criação de normas. Há muitos autores no mundo trabalhando nessa questão.

Blog do CEE-Fiocruz: Existe um momento ou situação em que um cuidado especial torna-se necessário?

Paulo Amarante: Existem alguns princípios, como estado de tristeza profunda inexplicável, perda de ânimo, com ideias de ruína, autodesvalorização, autodestruição, ideias persecutórias, sem um fato relacionado a isso, sem que haja situação de luto, desemprego, separação, enfim, um disparador. Se uma situação foge à explicação racional, a um entendimento racional, podemos dizer que se trata de depressão. Mesmo isso, no entanto, deve ser relativizado. O DSM 5 (quinta e mais recente edição, de 2013, do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, que teve a primeira publicação em 1952, e lista categorias e critérios para diagnóstico dos transtornos mentais) diz que em algumas situações o luto a partir de seis meses já deve ser considerado patológico. Esse é um critério absurdo; como se o luto fosse comum em todas as sociedades e culturas. Os bororo fazem um ritual muito diferente do das viúvas espanholas, de origem latina. Minha mãe ficou um ano de preto, quando meu pai faleceu. Não era um processo individual, era cultural também.

Blog do CEE-Fiocruz: A OMS contabiliza cerca de 300 milhões com depressão. Esse número seria superestimado, então?

Paulo Amarante: Nesse caso, estamos falando dessa situação de patologização. Um dos trabalhos do Bob (Robert Whitaker), que foi o primeiro a apontar os reais interesses envolvidos nesse processo, mostrou que os laboratórios pagam milhões aos médicos para fazerem pesquisas e fundamentarem as situações de mal estar como patológicas. O sofrimento necessário, humano, é patologizado. Em outro livro seu, Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma (ver aqui), Bob mostra como os laboratórios vão aos centros de pesquisa, financiam estudos e, ao longo do tempo, compram resultados. Ele conta como conseguiu, no Senado americano, acessar as contas das empresas, para comprovar que um pesquisador  chegou a receber um milhão e duzentos mil dólares em um ano para prestar consultoria a um laboratório, escrever artigos e fazer palestras indicando um medicamento que ele pesquisava daquele mesmo laboratório! Bob mostra por análise de discurso como os artigos eram escritos pelo próprio laboratório, não pelo pesquisador.

Marcia Angell, que foi por muitos anos editora do New England Journal of Medicine e tem como um de seus grandes temas o medicamento psiquiátrico, também desmente os laboratórios, neste caso, quando alegam que os medicamentos são caros porque há grande investimento em tecnologia. Quem investe em tecnologia são os serviços públicos, quando  conseguem comprar as patentes dos laboratórios e produzir medicamentos acessíveis à população, ou as empresas privadas de tecnologia individual. Os laboratórios farmacêuticos não investem em tecnologia, investem fundamentalmente em publicidade.

Blog do CEE-Fiocruz: Mas nem todo médico age de má fé ao prescrever esses medicamentos...

Paulo Amarante: Os laboratórios têm também estratégias para os médicos em seus consultórios. Uma é levando representantes para apresentação dos medicamentos, com amostras e brindes. Em alguns países, como Estados Unidos e Espanha há um movimento, o No, thank you, ou No, gracias, de médicos que não aceitam os representantes dos laboratórios. Você entra no consultório do médico, e está lá: a agenda é Prozac, a caneta é Prozac, o bloquinho é Prozac, o calendário é Prozac, e ele receita o Prozac, consciente ou inconscientemente. Os laboratórios também oferecem vouchers para jantares nas churrascarias mais caras da cidade, convidam para ir aos congressos no exterior, pagam as passagens, muitas vezes em primeira classe, pagam hospedagem. Nos congressos, dão notebooks de brinde, dão balas e chocolates dentro das embalagens de medicamentos, a caixinha do remédio com amendoim coberto de chocolate dentro. Tenho algumas guardadas. Isso é uma produção simbólica que tem influência na forma de prescrever.

Blog do CEE-Fiocruz: Como romper com tudo isso?

Paulo Amarante: Médicos, pesquisadores, professores teriam que ter um compromisso ético com o paciente e com a sociedade, não com os laboratórios farmacêuticos. É um princípio e deveria haver políticas públicas voltadas a isso. Os laboratórios públicos de pesquisa, ligados a universidades, não poderiam ter financiamento direto da indústria farmacêutica. Já pesquisei, apontei e encaminhei essa reivindicação para o Conselho de Medicina, mas não dá em nada. Esses laboratórios recebem dinheiro da indústria para encomendas específicas. Essa relação deveria ser intermediada pela Capes, pelo CNPq, para onde os laboratórios encaminhariam os recursos, constituindo o Fundo Nacional de Pesquisa. E as universidades concorreriam. Isso não pode ser feito diretamente com a indústria; coloca-se em xeque a autonomia do laboratório público. Presenciei a apresentação de uma pesquisa mostrando aumento assustador do diagnóstico psiquiátrico em São Paulo. Na hora, eu disse ao pesquisador: “Você me assustou, nem vou mais a São Paulo, pois a cidade está muito doente!”. E perguntei: “Você recebe dinheiro diretamente do laboratório farmacêutico?”. A pessoa respondeu que recebia, mas que isso não interferia em sua pesquisa. Eu disse que ela precisaria me provar que não interferia, pois o resultado da pesquisa mostrava que sim. Tanto a indústria farmacêutica, quanto as do tabaco e do álcool deveriam pagar um subsídio, um imposto a centros financiadores que, estes sim, acompanhariam as pesquisas. Aí sim, poderíamos pesquisar se a maconha tem efeito medicinal ou nocivo, se o uso de ritalina é ou não positivo, de forma independente.

Blog do CEE-Fiocruz: Nesse embate entre saúde e mercado, como desmedicalizar sintomas, sem, no entanto, minimizar o sofrimento das pessoas? Afinal, a depressão é tida como doença silenciosa, em que as pessoas que sofrem não são ouvidas ou acolhidas.

Paulo Amarnate: Somos criados na relação com o outro; nossa identidade está nessa relação. A necessidade de reflexão, introspecção, escuta é imanente, constituinte do sujeito. Essa, no entanto, não é uma questão exclusivamente médico-sanitária, somente do âmbito da saúde. As comunidades ditas primitivas são muito mais sábias nisso, com seus métodos de relações de vizinhança, de cooperação, para fazer frente a essa necessidade. Nós temos essas redes, mas não valorizamos! Na comunidade aqui do lado vemos uma mãe que perdeu um filho contar com uma rede de apoio, de solidariedade das vizinhas que vão dormir com ela, que levam um bolinho... Mas isso não é valorizado. A primeira coisa que se faz quando se perde alguém é tomar um antidepressivo para suportar a crise. O que é preciso, no entanto, é viver aquela crise, e as redes são importantes para isso. Mas como não se dá valor a elas, e o Estado não sabe como propiciar esse acolhimento por meio de uma política pública, e, ainda, como há uma quebra de relações de comunidade promovida pela televisão, pelo medo e pela insegurança, a Igreja acaba ocupando esse espaço. No meu bairro as pessoas sequer se cumprimentam dentro do elevador. Elas não se abrem em sua comunidade, vão para a Igreja fazer uma catarse espiritual ou vão procurar um médico. A questão da depressão é paradigmática, aponta para a ausência do outro, da rede de solidariedade nas grandes cidades. Com as perdas de vínculo, as pessoas ficam sós. O importante seria podermos restabelecer vínculos.

*Eliane Bardanachvili é jornalista do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz. 

Comitê de Ética em Pesquisa da ENSP promove Cinebioética

O Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Cep/ENSP) dará continuidade às comemorações de seus 20 anos de atuação com uma sessão do Cinebioética no dia 1º de agosto. Será exibido o filme A vida imortal de Henrietta Lacks. Após a sessão, haverá debate com o professor da Universidade da Região de Joinville (Univille) Paulo Henrique França. A atividade, aberta aos interessados, está marcada para as 13 horas no salão internacional da ENSP e não necessita de inscrição prévia.

O Cinebioética é a quarta atividade promovida pelo CEP/ENSP em comemoração de seus 20 anos. O primeiro encontro, ocorrido em 17 de abril, debateu os direitos dos participantes de pesquisa no Brasil e, para isso, contou com a participação do coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio. Segundo ele, a política de retirada de direitos dos participantes de pesquisa, prevista no Projeto de Lei 7.082/2017 (PLS 200/2015), é desastrosa. Além disso, apresenta inconstitucionalidade pela maneira como está sendo proposta. Leia mais aqui.

O segundo encontro, realizado no dia 5 de junho, debateu os Biobancos na Fiocruz. Na ocasião, foi discutida a questão das pesquisas envolvendo seres humanos que lidam diretamente com coleta e análise de materiais biológicos e promovem o armazenamento das amostras em bancos para análises posteriores. Presentes ao encontro, Gustavo Stefanoff (Inca/representante da Conep), Jennifer Braathen Salgueiro (coordenação Cep/ENSP), Maria Hermoso (VPPCB/Fiocruz), Thereza Benévolo (IOC/Fiocruz) e Ricardo Brum (Biomanguinhos/Fiocruz). Leia mais aqui

No terceiro encontro, realizado em 12 de junho, a discussão foi sobre vulnerabilidade e sua interface nas pesquisas com seres humanos. Para fomentar o debate, estiveram presentes o pesquisador do Departamento de Ciências Sociais (DCS/ENSP) Fermin Roland Schramm, a pesquisadora do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP) Ângela Maria Coimbra, e a pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Maria Elisabeth Lopes Moreira. Leia mais aqui.



 

Ainda no gancho das comemorações de seus 20 anos, o Comitê de Ética em Pesquisa da ENSP promoverá mais um encontro em setembro. Confira a agenda abaixo:

Mês de Setembro
Data: 11/9/2017
Palestra: Comemoração dos 20 anos do CEP - Encontro dos ex-coordenadores. Perspectivas para o futuro
Local: Salão Internacional - 4º. andar da ENSP
Horário: 13h às 16h

Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador debaterá o assédio moral no trabalho


O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz) promoverá, no dia 25 de julho, a aula aberta do Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador. Com o tema Os ataques à saúde mental de quem trabalha: o assédio moral, a atividade contará com a participação da professora adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Terezinha Martins. A palestra será no salão internacional da ENSP, a partir das 13 horas. Não é necessária inscrição prévia, e o evento é aberto a todos os interessados.

Terezinha Martins esteve na ENSP em 2016, durante as comemorações dos 62 anos da Escola. Na ocasião, a professora falou sobre O assédio moral e sexual e a gestão de instituições públicas. Segundo ela, o assédio moral é maior do ponto de vista numérico e pior do ponto de vista qualitativo no serviço público. "Quando somos assediados, não somente adoecemos: nos matamos ou nos deprimimos. Mas também diminuímos a qualidade do nosso serviço e produção. Portanto, a consequência do assédio a um servidor é dupla, isso visto da ótica do trabalhador e da ótica do serviço prestado à população, que é quem paga nossos salários”, afirmou ela.


Pesquisa da ENSP aborda o uso da força policial sob a ótica da violência e saúde

Qual o limite para o uso da força policial militar? A pergunta intitula a dissertação da aluna de mestrado em Saúde Pública, Marcelle Braga Barbosa, psicóloga da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, sob orientação da pesquisadora Fátima Regina Cecchetto. "Minha prática se sustenta no 'entre' o 'dentro' e o 'fora'. Estou dentro do Quadro de Oficiais Policiais Militares, com minhas insígnias e patentes. E fora de seu círculo, com meu sigilo profissional e minha escuta livre de ordenamentos disciplinares e hierarquizações. E foi desse lugar de 'entre' que pude colher a fala de um paciente que deu título ao trabalho de pesquisa", disse Marcelle. Ela relata que esse paciente metaforizou a linha que demarca a legalidade de suas ações como uma "corda bamba" pela qual caminha no seu dia a dia profissional. "As noções de força e violência policial também comportariam uma tensão, uma vez que se encontram na fronteira entre o legal e o ilegal, entre a coercitividade e a proteção de direitos?", indaga. Para a psicóloga, o discurso da violência que marca as relações sociais, também marca a atuação das instituições sociais voltadas para seu controle. "Pode-se postular que o uso da força policial se encontra numa dinâmica que envolve o Estado - com seu regime político e sua política governamental -, a sociedade - com sua relação com a polícia e a violência -, a polícia militar - com sua cultura e aparato organizacional - e o policial - com sua individualidade e sua liberdade discricionária".
 
O conteúdo da fala desse paciente, explica Marcelle, expunha seu medo de ser punido, o que, muitas vezes, implica ser preso e/ou perder o emprego, ou de morrer por uma decisão que o levasse ou a exceder no uso de sua força policial militar ou a se omitir diante da urgência de algo que deveria ser feito por meio desse mesmo uso. “Sua preocupação se justificava pela Polícia Militar ter a função ostensiva.” Ou seja, elucida a psicóloga, essa fala está nas esquinas das cidades identificada, equipada e autorizada a usar a força para manter a ordem pública, fazendo com que os policiais, em seu cotidiano, sejam demandados a atuar numa grande variedade de acontecimentos que requerem intervenções imediatas para fazer cessar algum tipo de desordem ou conflito. “Tal entendimento conduz à perspectiva de que a atividade policial está amparada na possibilidade do uso da força.”
 
Então, aponta Marcelle, o abuso de força policial acaba sendo individualizado na figura do sujeito policial, normalmente visto como despreparado, desvalorizado e estressado. “Não que tudo isso não contribua de maneira essencial para os excessos cometidos por policiais, mas esses não podem ser explicados unicamente por tais argumentos, senão como parte de uma dinâmica que envolve as instituições policiais e que se insere na monopolização da violência supostamente legítima, constitutiva do Estado Moderno.” Por isso, admite-se que o uso da violência revela-se parte inerente da atividade policial, uma vez que, por meio de sua monopolização pelo Estado, a polícia está autorizada ao uso da coação, numa tentativa de instauração da paz na vida social. Nessa busca por restringir a aplicação da força pelo Estado de direito, disse a aluna, acabou-se por autorizar seu exercício residual à polícia, tornando-a o único meio de violência legal capaz de responder prontamente às diferentes demandas no espaço público. Ela destaca que as sociedades democráticas instituem as polícias como seu aparato coercitivo e, para tanto, delegam à instituição o uso da violência para a manutenção da ordem. “A justificação do uso ilegítimo da força pela polícia tem como raiz a ideia de que somente a força pode conter a ameaça do crime.” 
 
Segundo Marcelle, diante do material bibliográfico encontrado pela pesquisa, vê-se que a perspectiva da violência como intrínseca ao ofício policial é ofuscada pela sua vertente de abuso e excesso, contribuindo para a incompreensão acerca do exercício da violência autorizada pelo Estado como inerente ao trabalho policial militar. “A ênfase na violência policial em situações de conflitos armados e combate ao crime massifica a imagem da polícia como violadora dos direitos humanos, desconsidera a relação da força com as atividades de manutenção da ordem e aumenta a distância entre polícia e sociedade.”
 
A dissertação de Marcelle Braga Barbosa objetivou articular as noções de constituição do Estado, monopolização da violência e polícia por meio de referenciais teóricos acerca dos estudos sobre a polícia, além de discutir sobre a polícia militar no Brasil e a institucionalização do excesso de violência policial no período entre 1980 e 2015. Ela é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública pela Universidade Estácio de Sá (2013), e em Psicanálise e Saúde Mental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2012). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (2007). 

Conferência: "O legado de Clarice Lispector", por Nádia Batella Gotlib



Programação CAIXA Cultural RJ - 19 a 23 de julho 2017

MM Gerdau recebe roda de capoeira na programação de férias

MM Gerdau recebe roda de capoeira na programação de férias

A Associação de Cultura Afro-Brasileira de Ouro Branco (Acafro), entidade apoiada pela Gerdau, participa da programação especial de férias do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, em Belo Horizonte. A associação se apresentará no dia 22 de julho, às 14h, com a tradicional roda de capoeira composta por ritmistas, cantadores e capoeiristas, que farão demonstrações de performance física da capoeira, além de uma apresentação solo de capoeira ao toque de tambores com Samba Reggae e Senegal.

Para Wanderson de Campos, coordenador da Acafro, é sempre importante participar de atividades que integram conhecimento e diversão. “Recebemos com alegria o convite para participar da programação de férias do MM Gerdau. É um bom momento para promover o fortalecimento da cultura, a troca de experiências e intercâmbio cultural entre os alunos da associação e o público que prestigia a nossa apresentação”.

Até o dia 29 de julho, o MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal promove uma programação especial de férias com diversas atividades gratuitas para as crianças, pais e acompanhantes. Este ano, novas temáticas são abordadas por meio de dinâmicas e oficinas com diversos horários ao longo de toda a tarde. Dessa forma, os participantes podem conhecer diferentes atividades ou dedicar mais tempo nas que mais gostaram. Confira a programação completa das oficinas de julho em www.mmgerdau.org.br/programe-se/ferias-e-no-museu-3/

Sobre a Acafro
A entidade está há sete anos em Ouro Branco, Congonhas, Entre Rios de Minas e Lobo Leite. Atualmente, o projeto oferece aulas de capoeira, percussão, teatro e dança de rua. A iniciativa é direcionada pelo Instituto Gerdau, responsável pelas políticas e diretrizes de responsabilidade social da empresa, e atende crianças e adolescentes a partir dos cinco anos de idade.

Sobre a Gerdau
A Gerdau é líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras de aços especiais do mundo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro, atividades que ampliam o mix de produtos oferecidos ao mercado e a competitividade das operações. Além disso, é a maior recicladora da América Latina e, no mundo, transforma, anualmente, milhões de toneladas de sucata em aço, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento sustentável das regiões onde atua. As ações das empresas Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova Iorque e Madri.

39º FESTIVAL DE TEATRO

“39º FESTIVAL ESTADUAL DE TEATRO DA FETAERJ - 
PRÊMIO PASCHOALINO 2017” – Gratuito - De 21 a 30 de julho – Em Maricá/RJ

Reconhecido como um dos melhores do Brasil, festival reúne grupos teatrais do Estado do Rio.
 Espetáculo Alma Cega abre a 39ª edição do Prêmio Paschoalino em Maricá

O Festival da FETAERJ – PRÊMIO PASCHOALINO – 2017,  chega a 39ª edição, sendo considerado o evento mais importante realizado pela Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro. Em 2017,  acontece no município de Maricá entre os dias 21  e 30 de julho em parceria com a Prefeitura Municipal de Maricá e Secretaria Municipal de Cultura de Maricá, de forma gratuita, no Cine Teatro Henfil.
O próprio nome do Festival é uma homenagem ao grande ator e guerreiro da arte Paschoal Carlos Magno. O Festival acontece anualmente no final do mês de julho e, neste período de grande encontro teatral, os federados vivenciam diariamente os espetáculos da Mostra Competitiva de grupos e companhias do Estado do Rio de Janeiro, Companhias convidadas de outros Estados, oficinas, debates, discussões acerca do fazer teatral. O festival é o momento de troca de experiências, de arte e linguagens de artistas de locais diferentes que somam estas experimentações.
Neste sentido, o festival da FETAERJ torna-se um local de aperfeiçoamento e aprendizagem, já que nestes dias a respiração diária das artes cênicas acontece da forma mais plena e completa.​
SOBRE A FETAERJ
A FETAERJ há mais de 30 anos trabalha com o princípio da descentralização da produção cultural, focando suas atividades para os grupos e ações no interior, realizando festivais, congressos, concursos, seminários, oficinas, mostras, intercâmbios, palestras, debates, leituras, cursos e FESTIVAIS DE TEATRO que têm acentuado de forma ímpar a difusão do teatro, promovendo a capacitação de artistas, técnicos e grupos; o aprimoramento das produções; a criação e manutenção de novos grupos e novos espaços, e a formação de plateia. A FETAERJ - Federação de Teatro Associativo do Estado do Rio de Janeiro - é uma instituição sem fins lucrativos e de utilidade pública estadual, filiada à CBT (Confederação Brasileira de Teatro).
Desde sua fundação em 1977, a FETAERJ associa grupos de teatro com o objetivo de desenvolver o fomento, a criação/manutenção e a difusão do teatro no nosso Estado.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA – GRATUITA
Dia 21 de julho – Sexta-feira
21h – Cine Henfil - Espetáculo: Alma Cega – Grupo Lacraia’s Produções – Maricá/RJ - Duração: 40 min./Classificação: 12 anos
Dia 22 de julho – Sábado
11h – Cine Henfil - Espetáculo: Notícias pelos ares – Grupo Albatroz – São Gonçalo/RJ - Duração: 50 min./Classificação: 12 anos
21h – Cine Henfil - Espetáculo: Lisbela e o Prisioneiro – Grupo Casa Verde – Itaguaí/RJ - Duração: 75 min./Classificação: 16 anos
Dia 23 de julho – Domingo
11h – Cine Henfil - Espetáculo: Obediência Cega – Grupo Arte em Cena – Volta Redonda/RJ - Duração: 65 min./Classificação: 14 anos
16h – Cine Henfil – Lado Externo ao teatro - Espetáculo: Dados Variáveis – Grupo Será o Benedito? – Rio de Janeiro/RJ - Duração: 80 min./Classificação: 10 anos
21h – Cine Henfil - Espetáculo: Avesso – Grupo CTI – Comunidade Teatral Independente – Rio de Janeiro/RJ -Duração: 60 min./Classificação: 16 anos
Dia 24 de julho – Segunda-feira
11h – Cine Henfil - Espetáculo: Precisa-se de Velhos Palhaços – Nova Iguaçu/RJ - Duração: 60 min./Classificação: 12 anos
21h – Cine Henfil - Espetáculo: A era do rádio – Grupo Atores do Carmo – Carmo/RJ - Duração: 60 min./Classificação: Livre/Gênero: Musical
Dia 25 de julho – Terça-feira
11h – Cine Henfil - Espetáculo: Contos do Mar – Grupo Quatro Manos – Rio de Janeiro/RJ - Duração: 60 min./Classificação: livre
21h – Cine Henfil - Espetáculo: Caio – Grupo Os Ciclomáticos DNA – Rio de Janeiro/RJ - Duração: 50 min./Classificação: 16 anos
Dia 26 de julho – Quarta-feira
11h – Cine Henfil - Espetáculo: Morte e vida Severina – Grupo Dejota Teatro e Artes – Maricá/RJ - Duração: 60 min./Classificação: 10 anos
16h – Cine Henfil – Externo ao teatro - Espetáculo: Circo Mimos – Grupo Mimos Brasil – Rio de Janeiro/RJ - Livre
21h – Cine Henfil - Espetáculo: Inquérito 5736 – Grupo Cia. De Segunda – Nova Iguaçu/RJ - Duração: 50 min./Classificação: 14 anos
Dia 27 de julho – Quinta-feira
16h – Pça Central de Bambuí - Espetáculo: Dragon – O mundo maravilhoso da mágica – Mostra FETAERJ
21h – Cine Henfil – Espetáculo: Vida de Boneca – Grupo Mimos Brasil – Rio de Janeiro/RJ - Duração: 50 min./Classificação: 12 anos
Dia 28 de julho – Sexta-feira
11h – Cine Henfil – Espetáculo: Omi - do Leitor ao mar – Grupo Ávida Cia de Teatro de Niterói/RJ - Duração: 60 min./Classificação: Livre
14h – Mostra FETAERJ na comunidade Minha casa, minha vida em Itaipuaçu - Espetáculo: A farra do boibumbá – Grupo Os Ciclomáticos do Rio de Janeiro/RJ - Duração: 50 min./Classificação: Livre/Gênero: Comédia
16h - Mostra FETAERJ na comunidade Minha casa, minha vida em Inoã  - Espetáculo: A farra do boi bumbá – Grupo Os Ciclomáticos do Rio de Janeiro/RJ - Duração: 50 min./Classificação: Livre/Gênero: Comédia
21h – Cine Henfil – Espetáculo: Felicidade – Grupo Guapoz do Rio de Janeiro/RJ - Duração: 55 min./Classificação: 12 anos
Dia 29 de julho – Sábado
11h – Mostra FETAERJ na comunidade Antônio Lopes em Itapeba – Espetáculo: Dragon – O mundo maravilhoso da mágica – Livre
Oficina 1 - Construindo Histórias: Interpretação e Montagem (Mauro Marques)
Segunda a sexta – Das 14 às 16h – Cine Teatro Henfil
Oficina 2 - Modelagem de Figurinos (Alessandro Curty)
Domingo, terça, quarta e quinta – Das 14 às 17h - Cine Teatro Henfil

SERVIÇO
Maricá em Cena
Abertura: 21 de julho – 21h
ENTRADA GRATUITA - em todos os eventos – Distribuição de senhas 1 hora de antecedência.
Local: Cine Teatro Municipal Henfil
Endereço: Rua Domício da Gama, 291 - Eldorado, Maricá – RJ

Projeto ATTO, no Brasil: maior torre de estudos climáticos do mundo já tem recursos garantidos por parte da Alemanha

Projeto ATTO, Brasil-Alemanha, já tem resultados expressivos

Alemanha já aprovou a destinação de 6 milhões de euros para a segunda etapa do projeto, de 2017 a 2019.
  
Num dos locais mais cobiçados por pesquisadores do mundo todo, o Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês) já mostra resultados. Desde que entrou em operação, em 2015, a maior torre de estudos climáticos já construída rendeu mais de 50 artigos científicos relacionados ao clima da Amazônia.
Algumas dessas novas descobertas foram apresentadas durante a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nesta terça-feira (18/7), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte (MG). Com 325 metros de altura, a torre instalada em área de floresta densa, a 150 km de Manaus, é um projeto do Brasil e Alemanha para monitorar o clima na região e sua influência global.
Para Adalberto Luis Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a ATTO permitiu o avanço do conhecimento da interação entre floresta, atmosfera e clima. Mas é preciso assegurar sua continuidade. “Para esta nova fase, ainda não há previsão de contrapartida nacional. O Brasil precisa viabilizar apoio para 2018, e a comunidade científica envolvida tem que ser ouvida, a fim de verificar as atuais necessidades”, disse durante o debate. Segundo Val, o parceiro alemão já aprovou a destinação de 6 milhões de euros para a segunda etapa do projeto, de 2017 a 2019.
A ciência brasileira atravessa um momento de severos cortes. Em março, o governo federal anunciou uma redução de 44% para o orçamento de 2017 do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) – menor valor que a área recebe nos últimos 12 anos.
Pesquisa na floresta – Nesta próxima fase, os estudos devem se concentrar nas medidas de fluxo de carbono, de aerossóis, de propriedades da vegetação. A torre tem capacidade para cobrir uma área de influência de mil quilômetros quadrados. “A Amazônia tem uma atmosfera bastante peculiar. Isso porque ela ainda tem características da era pré-industrial em plena zona continental”, disse Luciana Rizzo, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), justificando o interesse na região.
Segundo Rizzo, a atmosfera local ainda é bastante limpa por estar cercada pela floresta e receber quase nenhuma influência de poluentes emitidos pela atividade humana. “Precisamos conhecer essa região, com pouca interferência, para ter base da magnitude dessa interferência ao longo do tempo”, completou.
Stefan Wolff, pesquisador alemão do Instituto de Química Max Planck, relembrou a dificuldade dos primeiros dias de operação da torre, quando a comunicação e transmissão dos dados dependiam do transporte físico. “Agora, todos os dias, a torre transmite automaticamente os dados para os escritórios na Alemanha e Manaus, diariamente, sempre às 4 horas da manhã”, explicou. Aprovada em 2009, a parceria envolve 99 pesquisadores brasileiros e 88 estrangeiros.
Legado da parceria – Na visão do climatologista Carlos Nobre, as parcerias internacionais são importantes para a construção de um legado nas regiões onde as pesquisas são realizadas. “Se tivermos um projeto como o ATTO daqui a 20 anos, ele terá que ser liderado por pesquisadores da Amazônia. Esse é um legado que os experimentos internacionais poderiam deixar na Amazônia”, comentou.
O pesquisador, que já atuou como secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), diz que o próprio desenvolvimento das políticas científicas na Alemanha é uma inspiração. 
“A criação de institutos de pesquisa na antiga Alemanha Oriental após a reunificação foi de alto impacto para o país”, disse. Ele citou o exemplo do Instituto Max Planck de Bioquímica, em Jena, que fica no antigo território oriental alemão. “Foram criados depois da reunificação e hoje fazem pesquisa de ponta e são parceiros importantes do Brasil”, complementou.