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UMA REVISTA SEM FINS LUCRATIVOS

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Mobilidade urbana é tema do Bate-Papo FGV

O convidado da semana foi o professor Marcus Quintella, consultor de Transportes e Mobilidade Urbana da FGV Projetos, coordenador de cursos de pós-graduação MBA e coordenador nacional do programa de post MBA do IDE.
Bate-papo FGV, que apresenta entrevistas com especialistas e pesquisadores da Fundação Getulio Vargas para falar sobre temas atuais, convidou o professor Marcus Quintella, consultor de Transportes e Mobilidade Urbana da FGV Projetos, coordenador de cursos de pós-graduação MBA e coordenador nacional do programa de post MBA do Instituto de Desenvolvimento Educacional da FGV (IDE), para falar sobre mobilidade urbana.
Ao longo do programa, exibido no dia 20 de julho, foram destacados temas como o cenário das políticas públicas no Brasil voltadas à mobilidade urbana; os prejuízos causados pelo tempo perdido nos congestionamentos – que chegam a mais de R$ 40 bilhões por ano; a malha metroviária do Rio de Janeiro e as mudanças ocasionadas pela construção de parte da Linha 4; além do avanço do BRT na cidade.
A produção abordou ainda soluções de mobilidade através de expansão de ciclovias, planejamento urbano e uma análise de medidas e ideias para aprimorar a qualidade de vida através da mobilidade urbana nas principais capitais do mundo.

FGV Energia obteve a aprovação de dois projetos de pesquisa aplicada pela Serra do Facão Energia S.A.

A FGV Energia foi convidada a apresentar projetos de pesquisa e desenvolvimento pela Serra do Facão Energia S.A. e obteve a aprovação em dois projetos específicos. Um dos projetos, “Seleção de Rota Tecnológica para Aproveitamento Energético Integrado de Resíduos Florestais lenhosos, oriundos de Desmatamento de Reservatórios e de Podas de Árvores com Descartes Industriais de Madeira”, será realizado na fase de pesquisa aplicada da cadeia de inovação para investigar e selecionar a rota tecnológica mais adequada para o aproveitamento energético integrado dos resíduos de madeiras florestais com os resíduos de madeiras industriais.
Outro projeto é o “Aproveitamento energético do biogás obtido por processo de biodigestão anaeróbia de dejetos bovinos, aditivado com efluentes orgânicos da agroindústria”, que será realizado na fase de desenvolvimento experimental da cadeia de inovação. Ele será realizado em uma propriedade rural de Catalão para testar os efeitos da combinação de resíduos de processos produtivos da agroindústria local na produtividade do processo de biodigestão de dejetos bovinos. Serão avaliados os efeitos da combinação de resíduos de processos produtivos da agroindústria local, oriundos de fábricas locais de laticínios, abatedouros de bovinos, aterro sanitário e, se possível, também de usinas de álcool e açúcar. Paralelamente, com a implantação de unidade experimental, serão realizados testes de adição de catalisadores em modelo reduzido com reator de bancada. As misturas que apresentarem os melhores resultados técnicos, econômicos e ambientais serão testadas na unidade experimental para verificação de resultados efetivos em escala real.
Em ambos os projetos, a FGV Energia contará com a parceria da Jordão Engenharia LTDA e da Universidade Federal de Goiás (UFG) – Unidade de Catalão, com a qual formalizou os respectivos convênios já publicados no Diário Oficial da União. No primeiro projeto, a FGV Energia terá ainda a parceria o Instituto SENAI de Inovação Química Verde (ISI-QV), com a qual está prestes a formalizar o Acordo de Cooperação Técnica. No segundo projeto, a FGV Energia terá ainda parceria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).

Desafios regulatórios e legais para investidores chineses é debatido em seminário no Rio de Janeiro

A Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV (Direito Rio) promove no dia 3 de agosto, no Rio de Janeiro, o I Seminário Brasil-China: Desafios Regulatórios e Legais para as Empresas e Investimentos Chineses no Brasil. O evento, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas Chinesas, tem como objetivo contribuir para o fortalecimento bilateral desde a perspectiva do Direito brasileiro e internacional.
“Os chineses estão descobrindo, cada vez mais, que o sistema jurídico brasileiro tem um peso considerável para o êxito dos seus negócios. A percepção deles é que o nosso Direito é extremamente complexo e não tão amigável para os negócios. Abrir um canal de diálogo entre as empresas chinesas e os professores de Direito da FGV é uma iniciativa que poderá favorecer, ainda mais e de modo pragmático, um melhor entendimento do nosso sistema jurídico e, assim, ajudar a promover a relação bilateral entre o Brasil e a China”, afirma o professor da Direito Rio, Evandro Menezes de Carvalho, coordenador do Núcleo de Estudos China-Brasil.
Evandro Menezes de Carvalho, que divide a coordenação científica do seminário com o diretor da CNOOC Brazil Jia Yao, destaca que a China é o primeiro parceiro comercial do Brasil desde 2009 e um dos maiores investidores do país. Ele ressalta que, no ano passado, a China investiu, aproximadamente, US$ 12 bilhões, o dobro dos Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar. Nos quatro primeiros meses deste ano, o país asiático já aportou no Brasil US$ 6 bilhões de dólares.
“Recentemente, foi criado o Fundo Brasil-China de Cooperação para Expansão da Capacidade Produtiva com um aporte de até US$ 20 bilhões, dos quais US$ 15 bilhões serão desembolsados pelos chineses e o restante pelo Brasil. Esse Fundo investirá em projetos prioritários em setores de infraestrutura no Brasil. E no que diz respeito ao estado do Rio de Janeiro, onde o evento será realizado, foi noticiado que os chineses têm planos de investir R$ 32 bilhões em projetos de infraestrutura, em energia, telecomunicações etc.", ressalta Evandro Menezes de Carvalho.
O professor da FGV lembra que a China tem adquirido ou instalado diversas empresas no Brasil, operadas por profissionais de ambos os países. Segundo ele, há uma troca de experiências e de cultura corporativa que poderá ter um impacto positivo na área de administração de negócios, no entendimento de visões diferentes sobre a relação com o consumidor e posicionamento de marca.
“Se bem aproveitada, a experiência de brasileiros nessas empresas poderá ajudar o Brasil nos negócios lá na China. Esse raciocínio vale para a área jurídica. Quanto mais os profissionais do Direito se relacionam com essas empresas, mais aprendem sobre visão chinesa dos negócios, o que pode favorecer empresas brasileiras no país asiático. Como há um gap muito grande de conhecimento entre as partes, o seminário será a primeira iniciativa no Brasil de aproximação estruturada das empresas chinesas com os profissionais do Direito”, aponta o professor.
Para mais informações e inscrições, clique aqui.

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7º Enecont - As oportunidades da contabilidade digital

Seminário de Tecnologia e Mercado da Soldagem Rio de Janeiro



    5º Seminário Solda       Brasil tem nova data

Devido a dificuldades de agenda de alguns convidados estratégicos para esta discussão, a data original do Seminário de Tecnologia e Mercado da Soldagem, marcado originalmente para o mês de agosto, terá de ser transferida para o dia 21 de setembro, de forma a garantir a qualidade do conteúdo e dos debates programados.
O 5º Seminário Nacional de Tecnologia e Mercado da Soldagem - SOLDA BRASIL 2017 reúne empresas de soldagem, fornecedores de equipamentos e consumíveis, empresas gestoras e executoras de projetos, instituições de pesquisa, universidades, associações técnicas, profissionais e empresariais etc. O evento acontece no dia 21 de setembro, das 9:00h às 18:00h, na sede do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro, SINDUSCON RIO.
Entendemos que a mudança dará mais tempo para organizar com todo cuidado o evento permitindo que as empresas parceiras e patrocinadoras possam também se organizar melhor para participar ativamente do Seminário, que acontecerá no mesmo local - a Sede do SINDUSCON RIO.
Temos certeza que o remanejamento da data permitirá garantir a qualidade final do evento. As inscrições permanecem abertas e as vagas são limitadas. Portanto, apresse sua inscrição e garanta sua participação. 
Estamos à disposição para qualquer informação, dúvidas e esclarecimentos.
Comissão Organizadora 
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                                              Logo planeja
 
Inscrições informações:
As inscrições para o SOLDA BRASIL 2017 podem ser feitas pelo e-mail: inscricao.planeja@gmail.com, além do telefone (5521) 2262-9401. As empresas interessadas em participar do evento como patrocinadoras ou trazendo suas tecnologias para a mesa de debates, podem entrar em contato com a  Planeja e Informa Comunicação e Marketing /Casa Viva Eventos, através dos mesmos telefones: (55 21) 3301-3208 / 2262-9401 / 999699-1954 /99909-9900 ou pelos e-mail: planeja.eventos@gmail.com/ inscricao.planeja@gmail.com.
Acesse o Facebook: https://www.facebook.com/Soldabrasil/

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Evento discute estratégias para implementar metas do Acordo de Paris

A FGV Energia participou do “1st International Summer School in Economic modelling of Environment Energy and Climate - Modelling approaches to assess NDCs and mid-century strategies”. O evento, promovido pelo Centre International de Recherche sur l’Environnement et le Développement (CIRED), foi realizado de 4 a 8 de julho, em Paris.
O objetivo da escola de verão foi promover o intercâmbio científico entre os participantes sobre estratégias de implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) e metodologias de projeção de cenários usando modelos energéticos (abordagem bottom up e top down), modelos de equilíbrio geral computável (Computable General Equilibrium - CGE) e Modelos de Avaliação Integrada (Integrated Assessment Models - IAMs).
Além das palestras, foram promovidas sessões interativas com espaço aberto para os participantes discutirem seus temas de pesquisa e possíveis estratégias de monitoramento das NDCs no contexto nacional e global. No final do curso, o CIRED ainda se comprometeu em organizar e manter atualizada uma comunidade internacional sobre Modelagem Econômica de Meio Ambiente, Energia e Clima, da qual os participantes da escola de verão serão colaboradores. 
Acordo de Paris foi aprovado por 194 países que participaram da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) em 2015. Com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável, o acordo surgiu como forma de fortalecer a resposta dos países ao aquecimento global e a sua capacidade de adaptação aos impactos decorrentes das mudanças climáticas. Os signatários apresentaram as suas pretendidas NDCs, com as quais se comprometiam a reduzir o nível de suas emissões de gases de efeito estufa de modo a, no final do século XXI, manter o aumento da temperatura média global em até 2°C acima dos níveis pré-industriais, se esforçando para limitar este aumento a apenas 1,5°C.
Em junho de 2017, o acordo havia sido ratificado por 148 países da UNFCCC, que juntos representam 66% das emissões globais de GEE. Fazendo parte do grupo de países signatários do Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu em sua NDC a cortar as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, tendo como base o ano de 2005. Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente vem procurando planejar uma estratégia nacional para a implantação e o financiamento das medidas referentes à NDC brasileira.

Pesquisa sobre redução de riscos nucleares da FGV recebe apoio de think tanks dos EUA

O projeto “Reducing Nuclear Risks in Brazil Through Democratic Governance”, do Centro de Relações Internacionais da FGV, recebeu apoio financeiro da Carnegie Corporation of New York e da Fundação John D. and Catherine T. MacArthur, ambos dos EUA. O objetivo das duas instituições financiadoras é promover projetos com uma abordagem de pesquisa inovadora na área de segurança nuclear. A pesquisa é conduzida pelo professor Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, sediado na Escola de Ciências Sociais da FGV (CPDOC).
A iniciativa visa identificar mecanismos internacionais de governança no setor nuclear com o objetivo de reduzir o risco de proliferação do terrorismo, bem como danos ambientais e à saúde, tirando vantagens da posição única que o Brasil goza no ordenamento nuclear mundial. Por ser um dos poucos países do mundo com capacidade instalada para enriquecer urânio e por ter um projeto sui generis de propulsão nuclear para submarinos, o país pode dar uma grande contribuição à comunidade internacional.
A diretora do Programa de Desafios Nucleares da Fundação MacArthur, Emma Belcher, afirma que a organização busca “projetos que possam ajudar a reduzir o risco nuclear ao demonstrar novas abordagens aos problemas existentes, criar parcerias novas e importantes, e produzir ideias por meio das quais governos e indústria possam atuar”. O projeto “Reducing Nuclear Risks in Brazil Through Democratic Governance” terá duração de dois anos.

Simpósio de Automação de Sistemas Elétricos

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Efeitos da Operação Lava-jato para as sociedades empresariais

Alemanha e UFMG estreitam relação e discutem novas parcerias na SBPC

Assunto foi a pauta de uma reunião realizada ontem (19/7) na Reitoria da Universidade com representantes de diversas instituições alemãs.

Com 90 anos de atuação, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) começa a traçar os rumos das próximas décadas: aumentar a internacionalização. Dentre os parceiros para este futuro, a Alemanha está no topo da lista, afirmou Jaime Arturo Ramírez, reitor da UFMG, em reunião com a delegação alemã durante a 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nesta quarta-feira (19/7).
“Reconhecemos o papel e importância da Alemanha no desenvolvimento da ciência e de todas as áreas do conhecimento”, afirmou o Ramirez. A instituição, que sedia o evento da SBPC neste ano, mantém atualmente 40 acordos com universidades alemãs – a maior parte deles focada no intercâmbio.
A próxima parceria deve ser firmada com a Universidade de Münster. A cooperação com a UFMG deve incluir, além de intercâmbio de estudantes e pesquisadores, seminários, summer schools, projetos de ensino e pesquisa. “A assinatura do acordo em nível institucional está em fase de negociação com duas universidades”, complementou Anja Grecko Lorenz, do escritório do Centro Brasileiro da Universidade de Münster.
            Martina Schulze, diretora no Brasil do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), destacou que a Alemanha trabalha com universidades de destaque, com boa qualidade de ensino. Por isso, o país busca aproximação com instituições no Brasil. “A UFMG faz parte deste grupo, pois tem um perfil interessante e ótimos cursos de pós-graduação, além de ter muitos alunos que já estão estudando alemão”, afirmou Schulze.
Possíveis modelos – Uma das modalidades de cooperação que podem ganhar reforço segue um modelo bem-sucedido com a França. Em vigor há quatro anos, as Cátedras Franco-Brasileiras na UFMG promovem a troca de professores visitantes entre instituições dos dois países.
            “Nós temos programas de pós-graduação de base bastante sólida, portanto, evoluímos para um outro patamar de cooperação, que é a troca, e não simplesmente a compra de cursos para os nossos docentes no exterior, como foi no passado”, comentou Fábio Alves da Silva Júnior, diretor de Relações Internacionais da UFMG.
Segundo Silva, as novas cooperações devem seguir dois princípios: complementaridade e reciprocidade. Ou seja, a universidade no exterior tem que estar disposta a oferecer uma contrapartida financeira. Para viabilizar projetos futuros, o Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP) se dispôs a colaborar. “As universidades poderão contar com a nossa plataforma que reúne instituições de ensino e pesquisa”, reforçou Márcio Weichert, coordenador do DWIH-SP.
            Resultado da política de internacionalização do Ministério das Relações Externas da Alemanha e do Ministério de Educação e Pesquisa, o DWIH-SP foi criado em 2009 para aumentar a visibilidade do país europeu como polo científico e tecnológico. “Com as cooperações, nosso objetivo é fortalecer a pesquisa de ponta, de alto nível, feita no Brasil e na Alemanha, com benefícios para ambos os países”, afirmou Martina Schulze, do DAAD.

Seminário Saneamento Público

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Licenciamento ambiental norte-americano é alvo de estudo em novo livro

A Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV (Direito Rio) lançou, no dia 10 de julho, o livro “Direito Regulatório, Governança e Licenciamento Ambiental: Soluções para o Aperfeiçoamento do Licenciamento Ambiental Brasileiro”. A obra, de autoria de Romilson de Almeida Volotão, analisa as questões do direito regulatório e do licenciamento ambiental norte-americano e faz uma comparação com a legislação atualmente aplicada para o tema no Brasil.
O autor trata de um tema que afeta o dia-a-dia dos órgãos públicos e das empresas que submetem o pedido de licenciamento ambiental de empreendimentos de grande porte no Brasil. A questão é um dos maiores gargalos da administração pública, sendo comum que projetos sejam desenvolvidos por determinado órgão público ou entidade estatal e, na sua implantação pela iniciativa privada, são paralisados e, em muitos casos, rejeitados por outros órgãos e agências.
Em seus estudos divulgados no novo livro, Romilson vê como uma das soluções para essa questão a adoção do modelo dos Estados Unidos da Lead Agency, quando uma das agências é identificada para ser a líder de um grupo de agências que atuam em projetos complexos. Na pesquisa, ele levou em consideração o licenciamento ambiental de projetos do setor elétrico. O autor avaliou desde o marco regulatório do setor de meio ambiente e de energia até a racionalidade econômica das vantagens da adoção do arranjo de governança institucional proveniente do direito estrangeiro.
A obra apresenta uma crítica sobre os arranjos institucionais que já foram adotados no Brasil, a exemplo da Secretaria Especial de Portos, a Autoridade Pública Olímpica, entre outros órgãos criados. Para o autor, uma agência líder no Brasil pode servir de base à criação do arcabouço jurídico necessário ao aperfeiçoamento do processo de licenciamento ambiental, com efeitos positivos para a melhora da própria infraestrutura do país.
Para mais informações sobre o livro, acesse o site.

Competição estimula solução de problemas financeiros com técnicas matemáticas

O professor da Escola de Matemática Aplicada da FGV (EMAp), Rodrigo dos Santos Targino, vai participar do Fourth Financial Mathematics Team Challange, uma competição de Finanças Quantitativas em que equipes tentam solucionar problemas reais de finanças utilizando técnicas matemáticas. O evento acontece de 18 a 21 de julho na Universidade da Cidade do Cabo (UCT), na África do Sul.
Rodrigo atuará como mentor de uma das equipes. Cada time é formado por um docente e alunos de doutorado e mestrado, que vão trabalhar em um projeto diferente, proposto pelo mentor, em parceria com a indústria financeira.
No total, serão cinco equipes formadas por alunos da UCT, University College London (Reino Unido), Freiburg University (Alemanha) e da University of Technology Sydney (Austrália).
Para mais informações sobre o evento, acesse o site.

Monitoramento e Diagnóstico em Equipamentos de Alta Tensão


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Entrevista: Medicalizar problemas cotidianos faz mais mal a saúde do que a depressão, afirma Paulo Amarante

                                                                                                                                                        Por Eliane Bardanachvili

Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão. Por se tratar de problema para o qual não há um índice padrão de detecção, a depressão tornou-se um conceito maleável, posto a serviço dos interesses da indústria farmacêutica, para incrementar a venda de medicamentos. “Elegeu-se a depressão como doença a ser cada vez mais alargada, para abarcar situações da vida, como conflitos, desgosto, desemprego, separação, luto, e formatar como doença”, analisa o sanitarista Paulo Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), vice-presidente da Associação Brasileira de Coletiva (Abrasco), e presidente honoris causa da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), na entrevista ao blog do CEE-Fiocruz.

Paulo alerta quanto aos malefícios das drogas prescritas, em especial os antidepressivos, que podem ser mais prejudiciais do que aquilo que buscam combater. “Começou-se a observar que esses medicamentos geram dependência e que sua suspensão e retirada é tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. E praticamente não há serviço especializado no mundo nesse tipo de desintoxicação”, aponta. Os laboratórios farmacêuticos, no entanto, denuncia Paulo, encomendam e financiam pesquisas que patologizem o comportamento das pessoas diante de dificuldades cotidianas. Ele cita, entre as investigações realizadas nesse sentido, a do jornalista americano Robert Whitaker, vencedor em 2010 do Investigative Reporters and Editors Book Award, pelo livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental. O livro será lançado no Brasil em 3/7/2017, pela Editora Fiocruz.

Co-editor, com o pesquisador Fernando Freitas, do site Mad in Brasil, versão brasileira do site Mad in America, para integrar a comunidade de língua portuguesa à rede internacional, ampliando o diálogo voltado à construção de um novo paradigma de assistência psiquiátrica, Paulo também está concluindo um novo livro, Lugares da memória: causos, contos e crônicas, sobre loucos e loucuras. O livro reunirá relatos de situações que ele recolheu ao longo de sua trajetória e terá prefácio do antropólogo italiano Massimo Canevatti e Eduardo Torre.

O tema dos medicamentos prescritos será discutido em seminário internacional, a ser realizado pelo Laps, com apoio do CEE-Fiocruz, nos dias 30 e 31/10 e 1º/11/2017, no auditório da Ensp. Robert Whitaker está entre os nomes já confirmados, ao lado de Lisa Cosgrove, professora de Psicologia Clínica da Universidade de Massachussets-Boston, co-autora com o jornalista do livro Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma, e Jaakko Seikkula, da Finlância, à frente da experiência do Diálogo Aberto (Open Dialogue), abordagem que reduziu os diagnósticos de esquizofrenia no país. “A vida não é uma norma. Cada vida é muito pessoal”, observa Paulo. “O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades”.

Blog do CEE-Fiocruz: De que forma as drogas prescritas são um problema de saúde pública, e como está esse entendimento por parte da sociedade?

Paulo Amarante: A questão das drogas prescritas tem sido levantada há alguns anos. Tinha-se a concepção de que o uso das drogas psiquiátricas como tratamento para os transtornos mentais era um grande avanço da medicina, da bioquímica, da indústria farmacêutica. Isso vem desde os primeiros tratamentos, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o primeiro antipsicótico, a clorpromazina. De lá para cá, vieram sendo produzidos antipsicóticos de segunda e terceira gerações, antidepressivos etc. A ideia de avanço estava no imaginário dos profissionais. Isso, no entanto, passou a ser duramente questionado por psiquiatras que começaram a ver que não eram só as drogas psiquiátricas que possibilitavam uma ressocialização, como argumentava a indústria farmacêutica. A superação do modelo manicomial, da prática asilar, com a adoção de outras práticas de participação social, coletivização, resgatando os sujeitos, sem submetê-los a constrangimentos, segregação e exclusão, surtia efeito muito importante. Uma das marcas da ciência moderna é romper com essa explicação simplista de causa efeito, e, nesse caso, de que a causa do transtorno é uma alteração bioquímica.

O homem é um ser complexo, e as alterações bioquímicas não seriam causa, nem necessariamente efeito. É algo simultâneo; o homem pensa a partir de processos simbólicos e neuroquímicos ao mesmo tempo. A teoria do distúrbio neuroquímico vem sendo criticada desde a década de 1970, e só não cai devido a um forte interesse mercadológico. No caso dos antidepressivos, principalmente, pesquisas muito sérias mostram que eles têm efeito igual ou inferior ao placebo, à psicoterapia ou a outras abordagens não científicas, como as religiosas. Há ainda os grupos comunitários que se organizam para dar suporte, os amigos...

Blog do CEE-Fiocruz: Que pesquisas vêm sendo feitas nesse sentido?

Paulo Amarante: No âmbito da própria medicina, temos o Peter Gotzsche (ver aqui e aqui), um dos fundadores da Biblioteca Cochrane, que reúne pesquisas baseadas em evidências, e Joanna Moncrieff, da University College London, uma das fundadoras da Rede de Psiquiatria Crítica (ver aqui). Há também as pesquisas realizadas por formadores de opinião, como o jornalista Robert Whitaker, que ganhou o prêmio de jornalismo investigativo, em 2010, com o livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental, e a professora Lisa Cosgrove, da Universidade de Massachussets-Boston. A eficácia dos medicamentos passou a ser questionada, mostrando-se que podem ser auxiliares, paliativos, opcionais em alguma situação, mas não permanentemente, não exclusivamente.

Mais recentemente, começou-se a levantar, ainda, que os antidepressivos causam dependência química, levando a uma síndrome de abstinência quando retirados, confundida com recidiva da depressão. Sem o medicamento, a pessoa volta a ter um quadro depressivo, como se fosse um retrocesso. Como, ao receber o antidepressivo novamente, ela melhora, essa melhora é associada ao medicamento, como se fosse a mesma coisa que uma infecção, que pode voltar se o antibiótico for suspenso. Na verdade, o que há é uma situação de abstinência.

Blog do CEE-Fiocruz: Essas questões foram trazidas à tona pela OMS, que definiu a depressão como tema de campanha pelo Dia Mundial da Saúde de 2017, em abril...

Paulo Amarante: A OMS chamou atenção para o uso indiscriminado de antidepressivos, sua suspensão e retirada, tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. As pessoas não podem parar de imediato; têm sintomas de abstinência, como insônia, irritabilidade, palpitações, um mal estar por vezes insuportável. E não há serviço especializado no mundo em desintoxicação de antidepressivos; não há técnicas, estudos para lidar com isso, porque durante muito tempo a psiquiatria negou que esses medicamentos causariam síndrome de abstinência nesse nível. A OMS agora reconheceu pela primeira vez em dois relatórios importantes que os antidepressivos causam dependência e que seu uso da forma como se dá no mundo inteiro é um problema maior que a depressão em si. É como se disséssemos que o uso de antibiótico causa mais problemas que a infecção.

Blog do CEE-Fiocruz: O problema das drogas prescritas representa, então, mais um embate entre saúde e mercado...

Paulo Amarante: É sempre a política de mercado versus a política de saúde. O trabalho de Robert Whitaker mostra como a indústria farmacêutica e a classe psiquiátrica estão mancomunadas para produzir, com pesquisas, uma elasticidade no conceito de depressão de forma a abarcar situações da vida cotidiana como conflitos, desemprego, desgosto, separação, luto. Essas situações começaram a ser formatadas como depressão. De fato, é possível moldar um comportamento. Como o ser humano é muito sugestionável, se dissermos que o que ele tem é depressão, ele passa a ter. Se a mídia mostra depoimentos de pessoas importantes  que dizem “fui depressivo”, “tenho toque”, “tenho pânico”, isso causa um efeito...

Blog do CEE-Fiocruz: O que é depressão, afinal? Ela existe como doença?

Paulo Amarante: Não temos um critério definitivo. Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão, não há um índice padrão ou um índice médio permanente. Trata-se de um conceito, e, exatamente por ser tão maleável, tão subjetivo, tornou-se propício a que se elegesse a depressão como a doença a ser cada vez mais alargada. Pânico, obsessão-compulsão, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)... No caso dessa última, os pais são levados a mudar seu olhar para ver na criança não alguém rebelde, em crescimento, mas alguém com uma patologia. Problemas cotidianos, escola fracassada - não apenas a escola pública brasileira, mas o modelo de ensino, sua proposta já superada -, pobreza, falta de recursos, baixos salários, tudo contribui para uma piora do quadro. Há também as situações de crise evolutivas, como entrada na terceira idade, iniciação na vida sexual, incapacidade de realização de ato sexual, saída da primeira infância para a puberdade, entrada na vida adulta, crises de identidade que podem vir acompanhadas de uma certa situação depressiva. E o comportamento das pessoas diante das dificuldades acaba sendo patologizado. O livro de Allen Frances, Salvando o normal (Saving the normal - ver aqui), é uma crítica a essa ampliação do conceito de anormalidade.

Blog do CEE-Fiocruz: O que é importante entendermos sobre normalidade e anormalidade?

Paulo Amarante: A vida não é uma norma, há diferentes padrões, cada vida é muito pessoal. Podemos inventar a doença, ampliar o conceito de doença e patologizar todo o sofrimento, ou podemos inventar e ampliar o conceito de saúde. O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades - pois elas existem - criando-se normas. A normatividade é a capacidade do ser vivo de criar normas; elas não existem de antemão. A saúde está em lidar com a situação de doença. O câncer é normal na vida; se há um corte no braço, o organismo encontra um caminho para o sangue passar, ou cria a cicatriz para organizar a pele, assim como cria a febre para reagir à infecção. Essa capacidade de criação de normas é muito pessoal. Há princípios gerais, mas nunca são universais e idênticos. O título do livro de Allen Frances, Saving the normal, que da tradução em inglês seria Salvando o normal, traz um conceito interessante: salvar o normal é admitir que existe o normal e que nem tudo pode ser considerando patológico. A editora no Brasil, no entanto, traduziu o título para Voltando ao normal, o que muda totalmente o sentido, pois parte-se do princípio de que há um padrão a ser buscado, ao qual retornar. Não estamos falando de padrão, mas de normatividade, da capacidade de criação de normas. Há muitos autores no mundo trabalhando nessa questão.

Blog do CEE-Fiocruz: Existe um momento ou situação em que um cuidado especial torna-se necessário?

Paulo Amarante: Existem alguns princípios, como estado de tristeza profunda inexplicável, perda de ânimo, com ideias de ruína, autodesvalorização, autodestruição, ideias persecutórias, sem um fato relacionado a isso, sem que haja situação de luto, desemprego, separação, enfim, um disparador. Se uma situação foge à explicação racional, a um entendimento racional, podemos dizer que se trata de depressão. Mesmo isso, no entanto, deve ser relativizado. O DSM 5 (quinta e mais recente edição, de 2013, do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, que teve a primeira publicação em 1952, e lista categorias e critérios para diagnóstico dos transtornos mentais) diz que em algumas situações o luto a partir de seis meses já deve ser considerado patológico. Esse é um critério absurdo; como se o luto fosse comum em todas as sociedades e culturas. Os bororo fazem um ritual muito diferente do das viúvas espanholas, de origem latina. Minha mãe ficou um ano de preto, quando meu pai faleceu. Não era um processo individual, era cultural também.

Blog do CEE-Fiocruz: A OMS contabiliza cerca de 300 milhões com depressão. Esse número seria superestimado, então?

Paulo Amarante: Nesse caso, estamos falando dessa situação de patologização. Um dos trabalhos do Bob (Robert Whitaker), que foi o primeiro a apontar os reais interesses envolvidos nesse processo, mostrou que os laboratórios pagam milhões aos médicos para fazerem pesquisas e fundamentarem as situações de mal estar como patológicas. O sofrimento necessário, humano, é patologizado. Em outro livro seu, Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma (ver aqui), Bob mostra como os laboratórios vão aos centros de pesquisa, financiam estudos e, ao longo do tempo, compram resultados. Ele conta como conseguiu, no Senado americano, acessar as contas das empresas, para comprovar que um pesquisador  chegou a receber um milhão e duzentos mil dólares em um ano para prestar consultoria a um laboratório, escrever artigos e fazer palestras indicando um medicamento que ele pesquisava daquele mesmo laboratório! Bob mostra por análise de discurso como os artigos eram escritos pelo próprio laboratório, não pelo pesquisador.

Marcia Angell, que foi por muitos anos editora do New England Journal of Medicine e tem como um de seus grandes temas o medicamento psiquiátrico, também desmente os laboratórios, neste caso, quando alegam que os medicamentos são caros porque há grande investimento em tecnologia. Quem investe em tecnologia são os serviços públicos, quando  conseguem comprar as patentes dos laboratórios e produzir medicamentos acessíveis à população, ou as empresas privadas de tecnologia individual. Os laboratórios farmacêuticos não investem em tecnologia, investem fundamentalmente em publicidade.

Blog do CEE-Fiocruz: Mas nem todo médico age de má fé ao prescrever esses medicamentos...

Paulo Amarante: Os laboratórios têm também estratégias para os médicos em seus consultórios. Uma é levando representantes para apresentação dos medicamentos, com amostras e brindes. Em alguns países, como Estados Unidos e Espanha há um movimento, o No, thank you, ou No, gracias, de médicos que não aceitam os representantes dos laboratórios. Você entra no consultório do médico, e está lá: a agenda é Prozac, a caneta é Prozac, o bloquinho é Prozac, o calendário é Prozac, e ele receita o Prozac, consciente ou inconscientemente. Os laboratórios também oferecem vouchers para jantares nas churrascarias mais caras da cidade, convidam para ir aos congressos no exterior, pagam as passagens, muitas vezes em primeira classe, pagam hospedagem. Nos congressos, dão notebooks de brinde, dão balas e chocolates dentro das embalagens de medicamentos, a caixinha do remédio com amendoim coberto de chocolate dentro. Tenho algumas guardadas. Isso é uma produção simbólica que tem influência na forma de prescrever.

Blog do CEE-Fiocruz: Como romper com tudo isso?

Paulo Amarante: Médicos, pesquisadores, professores teriam que ter um compromisso ético com o paciente e com a sociedade, não com os laboratórios farmacêuticos. É um princípio e deveria haver políticas públicas voltadas a isso. Os laboratórios públicos de pesquisa, ligados a universidades, não poderiam ter financiamento direto da indústria farmacêutica. Já pesquisei, apontei e encaminhei essa reivindicação para o Conselho de Medicina, mas não dá em nada. Esses laboratórios recebem dinheiro da indústria para encomendas específicas. Essa relação deveria ser intermediada pela Capes, pelo CNPq, para onde os laboratórios encaminhariam os recursos, constituindo o Fundo Nacional de Pesquisa. E as universidades concorreriam. Isso não pode ser feito diretamente com a indústria; coloca-se em xeque a autonomia do laboratório público. Presenciei a apresentação de uma pesquisa mostrando aumento assustador do diagnóstico psiquiátrico em São Paulo. Na hora, eu disse ao pesquisador: “Você me assustou, nem vou mais a São Paulo, pois a cidade está muito doente!”. E perguntei: “Você recebe dinheiro diretamente do laboratório farmacêutico?”. A pessoa respondeu que recebia, mas que isso não interferia em sua pesquisa. Eu disse que ela precisaria me provar que não interferia, pois o resultado da pesquisa mostrava que sim. Tanto a indústria farmacêutica, quanto as do tabaco e do álcool deveriam pagar um subsídio, um imposto a centros financiadores que, estes sim, acompanhariam as pesquisas. Aí sim, poderíamos pesquisar se a maconha tem efeito medicinal ou nocivo, se o uso de ritalina é ou não positivo, de forma independente.

Blog do CEE-Fiocruz: Nesse embate entre saúde e mercado, como desmedicalizar sintomas, sem, no entanto, minimizar o sofrimento das pessoas? Afinal, a depressão é tida como doença silenciosa, em que as pessoas que sofrem não são ouvidas ou acolhidas.

Paulo Amarnate: Somos criados na relação com o outro; nossa identidade está nessa relação. A necessidade de reflexão, introspecção, escuta é imanente, constituinte do sujeito. Essa, no entanto, não é uma questão exclusivamente médico-sanitária, somente do âmbito da saúde. As comunidades ditas primitivas são muito mais sábias nisso, com seus métodos de relações de vizinhança, de cooperação, para fazer frente a essa necessidade. Nós temos essas redes, mas não valorizamos! Na comunidade aqui do lado vemos uma mãe que perdeu um filho contar com uma rede de apoio, de solidariedade das vizinhas que vão dormir com ela, que levam um bolinho... Mas isso não é valorizado. A primeira coisa que se faz quando se perde alguém é tomar um antidepressivo para suportar a crise. O que é preciso, no entanto, é viver aquela crise, e as redes são importantes para isso. Mas como não se dá valor a elas, e o Estado não sabe como propiciar esse acolhimento por meio de uma política pública, e, ainda, como há uma quebra de relações de comunidade promovida pela televisão, pelo medo e pela insegurança, a Igreja acaba ocupando esse espaço. No meu bairro as pessoas sequer se cumprimentam dentro do elevador. Elas não se abrem em sua comunidade, vão para a Igreja fazer uma catarse espiritual ou vão procurar um médico. A questão da depressão é paradigmática, aponta para a ausência do outro, da rede de solidariedade nas grandes cidades. Com as perdas de vínculo, as pessoas ficam sós. O importante seria podermos restabelecer vínculos.

*Eliane Bardanachvili é jornalista do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz. 

Comitê de Ética em Pesquisa da ENSP promove Cinebioética

O Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Cep/ENSP) dará continuidade às comemorações de seus 20 anos de atuação com uma sessão do Cinebioética no dia 1º de agosto. Será exibido o filme A vida imortal de Henrietta Lacks. Após a sessão, haverá debate com o professor da Universidade da Região de Joinville (Univille) Paulo Henrique França. A atividade, aberta aos interessados, está marcada para as 13 horas no salão internacional da ENSP e não necessita de inscrição prévia.

O Cinebioética é a quarta atividade promovida pelo CEP/ENSP em comemoração de seus 20 anos. O primeiro encontro, ocorrido em 17 de abril, debateu os direitos dos participantes de pesquisa no Brasil e, para isso, contou com a participação do coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio. Segundo ele, a política de retirada de direitos dos participantes de pesquisa, prevista no Projeto de Lei 7.082/2017 (PLS 200/2015), é desastrosa. Além disso, apresenta inconstitucionalidade pela maneira como está sendo proposta. Leia mais aqui.

O segundo encontro, realizado no dia 5 de junho, debateu os Biobancos na Fiocruz. Na ocasião, foi discutida a questão das pesquisas envolvendo seres humanos que lidam diretamente com coleta e análise de materiais biológicos e promovem o armazenamento das amostras em bancos para análises posteriores. Presentes ao encontro, Gustavo Stefanoff (Inca/representante da Conep), Jennifer Braathen Salgueiro (coordenação Cep/ENSP), Maria Hermoso (VPPCB/Fiocruz), Thereza Benévolo (IOC/Fiocruz) e Ricardo Brum (Biomanguinhos/Fiocruz). Leia mais aqui

No terceiro encontro, realizado em 12 de junho, a discussão foi sobre vulnerabilidade e sua interface nas pesquisas com seres humanos. Para fomentar o debate, estiveram presentes o pesquisador do Departamento de Ciências Sociais (DCS/ENSP) Fermin Roland Schramm, a pesquisadora do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP) Ângela Maria Coimbra, e a pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Maria Elisabeth Lopes Moreira. Leia mais aqui.



 

Ainda no gancho das comemorações de seus 20 anos, o Comitê de Ética em Pesquisa da ENSP promoverá mais um encontro em setembro. Confira a agenda abaixo:

Mês de Setembro
Data: 11/9/2017
Palestra: Comemoração dos 20 anos do CEP - Encontro dos ex-coordenadores. Perspectivas para o futuro
Local: Salão Internacional - 4º. andar da ENSP
Horário: 13h às 16h

Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador debaterá o assédio moral no trabalho


O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz) promoverá, no dia 25 de julho, a aula aberta do Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador. Com o tema Os ataques à saúde mental de quem trabalha: o assédio moral, a atividade contará com a participação da professora adjunta do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Terezinha Martins. A palestra será no salão internacional da ENSP, a partir das 13 horas. Não é necessária inscrição prévia, e o evento é aberto a todos os interessados.

Terezinha Martins esteve na ENSP em 2016, durante as comemorações dos 62 anos da Escola. Na ocasião, a professora falou sobre O assédio moral e sexual e a gestão de instituições públicas. Segundo ela, o assédio moral é maior do ponto de vista numérico e pior do ponto de vista qualitativo no serviço público. "Quando somos assediados, não somente adoecemos: nos matamos ou nos deprimimos. Mas também diminuímos a qualidade do nosso serviço e produção. Portanto, a consequência do assédio a um servidor é dupla, isso visto da ótica do trabalhador e da ótica do serviço prestado à população, que é quem paga nossos salários”, afirmou ela.


Pesquisa da ENSP aborda o uso da força policial sob a ótica da violência e saúde

Qual o limite para o uso da força policial militar? A pergunta intitula a dissertação da aluna de mestrado em Saúde Pública, Marcelle Braga Barbosa, psicóloga da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, sob orientação da pesquisadora Fátima Regina Cecchetto. "Minha prática se sustenta no 'entre' o 'dentro' e o 'fora'. Estou dentro do Quadro de Oficiais Policiais Militares, com minhas insígnias e patentes. E fora de seu círculo, com meu sigilo profissional e minha escuta livre de ordenamentos disciplinares e hierarquizações. E foi desse lugar de 'entre' que pude colher a fala de um paciente que deu título ao trabalho de pesquisa", disse Marcelle. Ela relata que esse paciente metaforizou a linha que demarca a legalidade de suas ações como uma "corda bamba" pela qual caminha no seu dia a dia profissional. "As noções de força e violência policial também comportariam uma tensão, uma vez que se encontram na fronteira entre o legal e o ilegal, entre a coercitividade e a proteção de direitos?", indaga. Para a psicóloga, o discurso da violência que marca as relações sociais, também marca a atuação das instituições sociais voltadas para seu controle. "Pode-se postular que o uso da força policial se encontra numa dinâmica que envolve o Estado - com seu regime político e sua política governamental -, a sociedade - com sua relação com a polícia e a violência -, a polícia militar - com sua cultura e aparato organizacional - e o policial - com sua individualidade e sua liberdade discricionária".
 
O conteúdo da fala desse paciente, explica Marcelle, expunha seu medo de ser punido, o que, muitas vezes, implica ser preso e/ou perder o emprego, ou de morrer por uma decisão que o levasse ou a exceder no uso de sua força policial militar ou a se omitir diante da urgência de algo que deveria ser feito por meio desse mesmo uso. “Sua preocupação se justificava pela Polícia Militar ter a função ostensiva.” Ou seja, elucida a psicóloga, essa fala está nas esquinas das cidades identificada, equipada e autorizada a usar a força para manter a ordem pública, fazendo com que os policiais, em seu cotidiano, sejam demandados a atuar numa grande variedade de acontecimentos que requerem intervenções imediatas para fazer cessar algum tipo de desordem ou conflito. “Tal entendimento conduz à perspectiva de que a atividade policial está amparada na possibilidade do uso da força.”
 
Então, aponta Marcelle, o abuso de força policial acaba sendo individualizado na figura do sujeito policial, normalmente visto como despreparado, desvalorizado e estressado. “Não que tudo isso não contribua de maneira essencial para os excessos cometidos por policiais, mas esses não podem ser explicados unicamente por tais argumentos, senão como parte de uma dinâmica que envolve as instituições policiais e que se insere na monopolização da violência supostamente legítima, constitutiva do Estado Moderno.” Por isso, admite-se que o uso da violência revela-se parte inerente da atividade policial, uma vez que, por meio de sua monopolização pelo Estado, a polícia está autorizada ao uso da coação, numa tentativa de instauração da paz na vida social. Nessa busca por restringir a aplicação da força pelo Estado de direito, disse a aluna, acabou-se por autorizar seu exercício residual à polícia, tornando-a o único meio de violência legal capaz de responder prontamente às diferentes demandas no espaço público. Ela destaca que as sociedades democráticas instituem as polícias como seu aparato coercitivo e, para tanto, delegam à instituição o uso da violência para a manutenção da ordem. “A justificação do uso ilegítimo da força pela polícia tem como raiz a ideia de que somente a força pode conter a ameaça do crime.” 
 
Segundo Marcelle, diante do material bibliográfico encontrado pela pesquisa, vê-se que a perspectiva da violência como intrínseca ao ofício policial é ofuscada pela sua vertente de abuso e excesso, contribuindo para a incompreensão acerca do exercício da violência autorizada pelo Estado como inerente ao trabalho policial militar. “A ênfase na violência policial em situações de conflitos armados e combate ao crime massifica a imagem da polícia como violadora dos direitos humanos, desconsidera a relação da força com as atividades de manutenção da ordem e aumenta a distância entre polícia e sociedade.”
 
A dissertação de Marcelle Braga Barbosa objetivou articular as noções de constituição do Estado, monopolização da violência e polícia por meio de referenciais teóricos acerca dos estudos sobre a polícia, além de discutir sobre a polícia militar no Brasil e a institucionalização do excesso de violência policial no período entre 1980 e 2015. Ela é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública pela Universidade Estácio de Sá (2013), e em Psicanálise e Saúde Mental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2012). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (2007).