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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Artigos: Guerra do Vietnã



A Guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da II Guerra Mundial. Estendeu-se essa guerra em dois períodos distintos. No primeiro deles, as forças nacionalistas vietnamitas, sob orientação do Viet-minh (a liga vietnamita), lutaram contra os colonialistas franceses, entre 1946 a 1954. No segundo, uma frente de nacionalistas e comunistas - o Vietcong - enfrentaram as tropas de intervenção norte-americanas, entre 1964 e 1975. Com um pequeno intervalo entre os finais dos anos 50 e início dos 60, a guerra durou quase 20 anos.
Ilustração
Na verdade, devido a sua irradiação, seria melhor dizer Guerra da Indochina, do qual o Vietnã é uma das partes. A Indochina, região assim chamada por ser uma zona intermediária entre a Índia e a China, ocupa uma península do sudoeste asiático e está dividida entre o Vietnã (subdividido em Tonquim e Conchinchina), o Laos e o reino do Camboja. Toda essa região caiu sob domínio do colonialismo francês entre 1883-5 e assim ficou até a ocupação japonesa, entre 1941-45. Com a queda da França em 1940, formou-se o governo colaboracionista de Vichy, aliado dos nazistas. Em vista disso os japoneses permitiram uma certa autonomia administrativa feita por franceses. Mas em 1945, com a derrota do Japão, os franceses tentaram recolonizar toda a Indochina.

Ho Chi Minh
Ho Chi Minh ("aquele que ilumina"), nasceu em 1890 numa pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural. Tornou-se um dos mais importantes e lendários líderes nacionalistas e revolucionários do mundo do após-guerra. Viajou muito jovem como marinheiro e tornou-se socialista quando viveu em Paris, entre 1917 e 1923. Quando ocorreu as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh (então chamado de Nguyen Ai quoc, o "patriota"), solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu resposta, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo.
Em 1930 ele fundou o Partido Comunista Indochinês e seu sucessor, o Viet-mihn (Liga da Independência do Vietnã), em 1941, para resistir à ocupação japonesa. Foi preso na China por atividade subversiva e escreveu na prisão os "Diários da Prisão", em chinês clássico, uma série de poemas curtos, onde enalteceu a luta pela independência.
Com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Vo Nguyen Giap, lançou-se numa guerra de guerrilhas contra os japoneses, obedecendo à estratégia de Mao Tse Tung de uma "guerra de longa duração". Finalmente, em 2 de setembro de 1945, eles ocupam Hanói (a capital do norte) e Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã. Mas os franceses não aceitaram. O Gen. Leclerc, a mando do Gen. De Gaulle, recebeu ordens de reconquistar todo o norte do país, nas mãos dos comunistas de Ho Chi Minh. Isso irá jogar a França na sua primeira guerra colonial depois de 1945, levando-a a derrota na batalha de Diem Biem Phu, em 1954, quando as forças do Viet-minh, comandadas por Giap, cercam e levam os franceses à rendição. Depois de 8 anos, encerrou-se assim a primeira Guerra da Indochina.
A Conferência de Genebra
Em Genebra, na Suíça, os franceses acertaram com os vietnamitas um acordo que previa:
1. o Vietnã seria momentaneamente dividido em duas partes, a partir do paralelo 17, no Norte, sob o controle de Ho Chi Minh e no Sul sob o domínio do imperador Bao Dai, um títere dos franceses;
2. haveria entre eles uma Zona Desmilitarizada (ZDM);
3. seriam realizadas em 1956, sob supervisão internacional, eleições livres para unificar o país. Os Estados Unidos presentes no encontro não assinaram o acordo.
A ditadura de Diem
Entrementes no Sul, assumia a administração em nome do imperador, Ngo Dinh Diem, um líder católico, que em pouco tempo tornou-se o ditador do Vietnã do Sul. Ao invés de realizar as eleições em 1956, como previa o acordo de Genebra, Diem proclamou a independência do Sul e cancelou a votação. Os americanos apoiaram Diem porque sabiam que as eleições seriam vencidas pelos nacionalistas e pelos comunistas de Ho Chi Minh. Em 1954, o Gen. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, explicou a posição americana na região pela defesa da Teoria de Dominó: "Se vocês porem uma série de peças de dominó em fila e empurrarem a primeira, logo acabará caindo até a última... se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã corre-se o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas um após o outro."
A partir de então Diem conquistou a colaboração aberta dos EUA, primeiro em armas e dinheiro e depois em instrutores militares. Diem reprimiu as seitas sul-vietnamitas, indispôs-se com os budistas e perseguiu violentamente os nacionalistas e comunistas, além de conviver, como bom déspota oriental, com uma administração extremamente nepótica e corrupta. Em 1956, para solidificar ainda mais o projeto de contenção ao comunismo, especialmente contra a China, o secretário John Foster Dulles criou, em Manilla, a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático), para servir de suporte ao Vietnã do Sul.

A segunda guerra da Indochina

A Guerra Civil e a intervenção americana
Ilustração
Com as perseguições desencadeadas pela ditadura Diem, comunistas e nacionalista formaram, em 1960, uma Frente de Libertação Nacional (FLN), mais conhecida como Vietcong, e lançaram-se numa guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Em pouco tempo o ditador Diem mostrou-se incapaz de por si só vencer seus adversários. O presidente Kennedy envia então os primeiros "conselheiros militares" que, depois de sua morte em 1963, serão substituídos por combatentes. Seu sucessor, o presidente L.Johnson aumenta a escalada de guerra, depois do incidente do Golfo de Tonquim, em setembro de 1964. Esse incidente provou-se posteriormente ter sido forjado pelo Pentágono para justificar a intervenção. Um navio americano teria sido atacado por lanchas vietnamitas em águas internacionais (na verdade era o mar territorial norte-vietnamita), quando patrulhava no Golfo de Tonquim. Assim os norte-americanos consideraram esse episódio como um ato de guerra contra eles, fazendo com que o Congresso aprovasse a Resolução do Golfo de Tonquim, que autorizou o presidente a ampliar o envolvimento americano na região.

Aumento da escalada americana no Vietnã (em soldados)
1960900
196211.000
196350.000
1965180.000
1967389.000
1969540.000
Em represália a um ataque norte-vietnamita e vietcong a base de Pleiku e Qui Nhon o presidente Johnson ordena o bombardeios intenso do Vietnã do Norte. Mas as tentativas de separar o Vietcong das suas bases rurais fracasssa, mesmo com a adoção das chamadas "aldeias estratégicas" que na verdade eram pequenas prisões onde os camponeses deveriam ficar confinados.
A reação contra a guerra e a contra-cultura
A participação crescente dos EUA na Guerra e a brutalidade e inutilidade dos bombardeios aéreos - inclusive com bombas napalm - fez com que surgisse na América um forte movimento contra a guerra. Começou num bairro de São Francisco, na Califórnia, o Haight - Aschbury, com "as crianças das flores" (flower children), quando gente jovem lançou o movimento "paz e amor" (peace and love), rejeitando o projeto da Grande Sociedade do pres. Johnson.
A partir de então tomou forma a movimento da contra-cultura - chamado de movimento hippy - que teve enorme influência nos costumes da geração dos anos 60, irradiando-se pelo mundo todo. Se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada. Se o americano médio cortava o cabelo rente como um militar, a contracultura estimulou o cabelo despenteado, cumprido, e de cara com barba. Se o americano médio tomava banho, opunham-se a ele andando sujos. Se aqueles andavam de terno e gravata, aboliram-na pelo brim e pela sandália. Repudiaram também a sociedade urbana e industrial, propondo o comunitarismo rural e a atividade artesanal, vivendo da fabricação de pequenas peças, de anéis e colares. Se o tabaco e o álcool era a marca registrada da sociedade tradicional, aderiram à maconha e aos ácidos e as anfetaminas. Foram os grandes responsáveis pela prática do amor livre e pela abolição do casamento convencional e pela cultura do rock. Seu apogeu deu-se com o festival de Woodstock realizado no Estado de N.York, em 1969.
A revolta instalou-se nos Campi Universitários, particularmente em Berkeley e em Kent onde vários jovens morrem num conflito com a Guarda Nacional. Praticamente toda a grande imprensa também se opôs ao envolvimento. Surgiu entre os negros os Panteras Negras (The Black Panthers) um expressivo grupo revolucionário que pregava a guerra contra o mundo branco americano da mesma forma que os vietcongs. Passeatas e manifestações ocorriam em toda a América. Milhares de jovens negaram-se, pela primeira vez na história do país, a servir no exército, desertando ou fugindo para o exterior.
Esse clima espalhou-se para outros continentes e, em 1968, em março, eclodiu a grande rebelião estudantil no Brasil contra o regime militar, implantado em 1964, e em maio, na França, a revolta universitária contra o governo do Gen. de Gaulle. Outras ainda ocorreram no México e na Alemanha e Itália. O filósofo marxista Herbert Marcuse afirmou que a revolução seria feita doravante pelos estudantes e outros grupos não assimilados pela sociedade de consumo conservadora.
A ofensiva do Ano Tet e o desengajamento

Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política. O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição. Para a opinião pública americana tratava-se agora de sair daquela guerra de qualquer maneira. O novo presidente eleito, Richard Nixon, assumiu o compromisso de "trazer nossos rapazes de volta", fazendo com que lentamente as tropas americanas se desengajassem do conflito. O problema passou a ser de que maneira os Estados Unidos poderiam obter uma "retirada honrosa" e manter ainda o seu aliado, o governo sul-vietnamita.
Desde 1963, quando os militares sul-vietnamitas, apoiados pelos americanos, derrubaram e mataram o ditador Diem (aquela altura extremamente impopular), os sul-vietnamitas não conseguiram mais preencher o vácuo de sua liderança. Uma série de outros militares assumiram a chefia do governo transitoriamente enquanto os combates mais e mais eram tarefa dos americanos. Nixon passou a reverter isso, fazendo com que os sul-vietnamitas voltassem a ser encarregados das operações. Chamou-se isso de "vietnamização" da guerra. Imaginou que abastecendo-os o suficiente de dinheiro e armas eles poderiam lutar sozinhos contra o vietcong. Transformou o presidente Van Thieu num simples títere desse projeto. Enquanto isso as negociações em Paris marcavam passo. Em 1970, Nixon ordenou o ataque a célebre trilha Ho Chi Minh que passava pelo Laos e Camboja e que servia como estrada de abastecimento do vietcong. Estimulou também um golpe militar contra o neutralista príncipe N.Sianouk do Camboja, o que provocou uma guerra civil naquele país entre os militares direitistas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho (Khmer Rouge) liderados por Pol Pot.
A derrota e a unificação
Depois de imobilizarem militarmente as forças americanas em várias situações, levando-as a serem retiradas do conflito, os norte-vietnamitas de Giap, juntamente com os vietcongs, prepararam-se para a ofensiva final. Deixaram de lado a guerra de guerrilhas e passaram a concentrar suas forças para um ataque em massa. Desmoralizado, o exército sul-vietnamita começou a dissolver-se. Haviam chegado a 600 mil soldados, mas reduziu-se apenas a um punhado de combatentes. Em dezembro de 1974, os nortistas ocupam Phuoc Binh, a 100 quilômetros de Saigon. Em janeiro de 1975 começou o ataque final. O pânico alcança os sul-vietnamitas que fogem para as cercanias da capital. O presidente Thieu embarca para o exílio e os americanos retiram o resto do seu pessoal e grupos de colaboradores nativos. Finalmente, no dia 30 de abril, as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969. A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada. Mais de um milhão de vietnamitas perecem enquanto que 47 mil mortos e 313 mil feridos ocorreram pelo lado americano, a um custo de US$ 200 bilhões.
Consequências da guerra
O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram imprestáveis para a lavoura. Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se boat people, navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de refugiados em países vizinhos. O Vietnã regrediu economicamente a um nível de antes da II Guerra Mundial. Os Estados Unidos por sua vez saíram moralmente dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral confiança dos cidadãos.

Artigos: Revolução Mexicana



O interesse pelo estudo da Revolução Mexicana se deu principal mente pela eclosão da Revolução Cubana as partir de 1959. Tudo indica que para os próprios mexicanos a retomada dos estudos sobre sua revolução ocorreu a partir dos anos sessenta quando, simultaneamente, se comemorava o cinquentenário da Revolução e a ascensão do fidelismo ao poder. Também tem despertado nossa curiosidade, o chamado "modelo mexicano", isto é, um regime político de partido único que mantém um sistema eleitoral que não altera os resultados finais e que se mantém surpreendentemente estável ao longo dos últimos sessenta nos. O México apresenta um regime político sui generis, um regime onde nem o Exército, nem a Igreja, nem o latifúndio são os fatores dominantes nas decisões políticas do país.
Então a Revolução Mexicana nos interessa por dois aspectos: por ser a primeira grande revolução social do nosso século (anterior inclusive à revolução bolchevista de 1917) e também por apresentar um regime político dos mais estáveis na história da turbulenta América Latina.

Como classificar esta revolução

O primeiro grande problema com que nos defrontamos ao analisarmos a história da Revolução Mexicana é como defini-la. Ela não se amolda aos padrões conhecidos de classificação revolucionária: isto é "Revolução Burguesa" e "Revolução Socialista".
A mais recente interpretação dessa revolução foi feita por Arnaldo Córdova (A Ideologia da Revolução Mexicana, 1973) que a classifica de "revolução populista", pois descrê da possibilidade de se utilizar do material teórico europeu para qualificá-la. "Populista" porque todos os grupos que se digladiavam lutavam de fato pela hegemonia da liderança sobre as massas, todos os grupos em conflito apelavam constantemente para elas, para que as massas se decidissem a favor de um ou de outro.
Seria populista também pelo grau de compromissos assumidos pelos dirigentes políticos: compromissos que representavam entre a nova classe emergida da revolução e povo. Neste sentido ela anuncia ao resto da América Latina, um modelo ímpar, uma espécie de terceira via, entre o regime oligárquico puro e simples e a revolução socialista, que passa a ser uma alternativa a ser considerada especialmente a partir de 1917. O Populismo seria uma síntese entre o regime oligárquico e o avanço socialista. O sistema de gerência da sociedade contava com forte cunho paternalista, mas a participação popular se fazia garantir através das eleições, da organização sindical e da legislação social. O que queremos dizer é que a Revolução Mexicana foi de certa forma o grande modelo que inspirou posteriormente os demais movimentos populistas na América Latina, tais como o Varguismo no Brasil, o Peronismo na Argentina, o Aprismo no Peru, etc...
A direitização que se assiste no regime mexicano de certa forma acompanha a direitização do populismo em toda a América Latina. Esta direitização se dá, porque o grande adversário do populismo não são mais as oligarquias, mas sim o projeto socialista. Isto implicou num acomodamento do populismo com as oligarquias, que passam a fazer frente em comum contra a presença socialista.

A escassez de ideias

Porfírio Díaz Mori.
Um dos aspectos que mais chama a nossa atenção no estudo da Revolução Mexicana é a carência de ideias. De construções ideológicas que aparelhassem os revolucionários na conquista do poder. Quando a Revolução eclode, entre 1910-11, observa-se que seus argumentos ideológicos expostos pelos militantes antiporfiristas são extraídos do liberalismo burguês: alternância do poder, rotatividade no executivo, eleições periódicas e honestas, legislativo autêntico e judiciário independente. Este programa (que foi esboçado pelo Plano de San Luís de Potosi, outubro de 1910) convivia desconfortavelmente com outro, emergido das bases camponesas, e expressadas principalmente por Zapata que exigia uma reforma agrária que restaurasse ao ejidos.
Desgraçadamente faltou para as lideranças camponesas um instrumental ideológico que ultrapassasse a simples luta pela terra e se configurasse numa luta pelo poder político.
Assim a Revolução Mexicana é fruto de uma dupla revolução: uma revolução das elites dissidentes, marginalizadas pelo sufocante aparelho porfirista e que reivindicam sua participação no poder por meio da ideologia liberal clássica. E outra, mais profunda, vinculada ao passado de humilhações que a massa camponesa de sangue indígena sofreu e que aproveitou o conflito entre as oligarquias para apresentar seu projeto social: fim dos guachupines e retorno ao ejido. Não é um projeto anticapitalista, mas sim antifeudal. Contrapõe o poder do haciendado ao poder dos comuneros organizados nos pueblos e ejidos. 

O despreparo político dos líderes camponeses, Villa e Zapata os impossibilitou do exercício do poder. Seus vínculos estreitamente regionais, Villa no Norte e Zapata em Morellos no Sul, foram enormes obstáculos para a unidade política da Revolução. Ao mesmo tempo em que eles eram frutos do atraso social do povo mexicano na sua totalidade. Os camponeses não conseguiram formar seu próprio e adequado instrumental ideológico colocando-se à mercê da nova burguesia que emergiu da Revolução.

O porfiriato 1876 - 1911

Na transição do século XIX para o século XX, o regime do Gen. Porfírio Díaz começou a agonizar. Mas o que era esse regime, o que representa o porfiriato? 

Díaz assumiu o poder em nome da plataforma do regime liberal que implicava a política de laicização do Estado e na aplicação de moderadas reformas políticas. Na prática, o regime implantou o imobilismo político.

Socialmente: o porfiriato foi produto do latifúndio mexicano. As grandes haciendas perfaziam mais ou menos oito mil se encontravam nas mãos de uma aristocracia agrária de origem espanhola (os guachupines) não miscigenada, que perfazia menos de 3% das famílias mexicanas. Quer dizer, 3% da população detinham o controle das melhores terras do país. Numa escala intermediária vinham os ranchos, ocupados por pequenos proprietários de origem mestiça, e, por fim, os ejidos; reminiscência dos tempos astecas que reunia a população indígena. 95% dos camponeses mexicanos eram despidos de qualquer tipo de propriedade.
Se o campo se encontrava nas mãos da aristocracia rural, as minas, o comércio, os bancos e as poucas indústrias eram concessões dadas ao capital estrangeiro, principalmente americano. Assim, o porfiriato era resultado político do pacto social entre os latifundiários e o capital estrangeiro, de resto pacto característico da América Latina em sua forma geral.
O Poder político: Este pacto social, que tem a sua cabeça política na figura de Porfírio Díaz, foi o avalista da "paz social" e interclassista que assegurava o domínio dos haciendados sobre a população camponesa. Díaz impôs a "pax porfirista" entre os inúmeros "caciques" agrários ao mesmo tempo que reprimia ferozmente a marginalidade social imposta pelo seu sistema. 

Para evitar as rixas interclassistas, apoiava-se no Exército que cumulava de favores e sobre o qual exerceu até o fim o mais absoluto controle, o que lhe permitia realizar intervenções nas províncias quando necessário. Se o exército era o instrumento na luta contra os particularismos oligárquicos, a política rural ("los rurales") era a manifestação da autoridade central sobre a população camponesa e sobre o lumpesinato rural, autoridade que se manifestava apelando para a "lei fuga" que os autorizava a praticar execuções sumárias.

O Estado: Este Estado porfirista era administrado por uma burocracia civil-militar que se inspirava no positivismo europeu, os chamados "científicos" que acreditam poder regenciar a sociedade de maneira autoritária, de cima para baixo. Os "científicos" eram os cultores da ideologia do "Progresso", similar à dos nossos republicanos positivistas ("Ordem e Progresso") e que manifestavam uma feroz ojeriza ao povo. Enquanto o Estado era pois orientado por regras e instruções assentadas na "ciência", o povo era doutrinado pela conservadora Igreja Católica.
A Igreja: A Igreja mexicana sempre desempenhou um papel político importante na História do país. Não devemos esquecer que os dois primeiros combatentes pela independência mexicana, Hidalgo e Morelos eram padres. No entanto, esse poder foi afetado na chamada Era das Reformas (1854 - 76) quando a Igreja perdeu parte considerável do poder, principalmente pela adoção da política dos liberais que lhes confiscaram as terras. No entanto ela continuava tendo o monopólio da educação e da vida cultural de uma forma geral. Essa Igreja era extremamente orgulhosa de seu passado, e o alto clero considerava o seu papel fundamental na manutenção do império espanhol e o responsável principal pelo conformismo popular para com a dominação aristocrática.

A eclosão da revolução

Pancho Villa
Em 1908, Díaz deu uma entrevista dizendo-se cansado de exercer o poder insinuando a possibilidade da alternância no poder. Foi o que bastou para Francisco Madero, um rico fazendeiro nortista lançar-se como candidato sob a plataforma antireeleicionista (maio de 1909). A recepção a esta candidatura é enorme, empolgando Madero e seus seguidores. Foi o que bastou para os científicos pressionarem Díaz a seguir no poder. Madero e Roque Estarada foram aprisionados um pouco antes das eleições. Em junho, Díaz vence novamente para exercer mais um mandato. Tornou-se claro para os dissidentes mexicanos que Díaz só seria apeado do poder à força (algo como a nossa rev. de 1930). Posto em liberdade, Madero seguiu para os EUA onde começou a juntar forças para a insurreição. O contato com Pancho Villa tem sucesso e ele juntamente com Pascoal Orozco, tomam a cidade fronteiriça de Juarez. 

Quinze dias depois, em 25 de maio de 1911, Díaz embarca para o exílio depois de maderistas e federais assinarem a paz. Madero entra triunfante na Cidade do México e é eleito Presidente em outubro de 1911. 
A rebelião teve sucesso porque os federais foram obrigados a dividir suas forças. Enquanto Villa e Orozco rebelavam o norte, um camponês do estado sulista de Morellos iniciava a insurreição dos pueblos, Emiliano Zapata.

O choque entre Madero e Zapata

Aqui vamos encontrar a primeira desavença entre as forças revolucionárias. O conflito entre o liberalismo e as demandas sociais. Madero acreditava que os objetivos da revolução já tinham sido atingidos, pois o México passaria a contar com instituições democráticas que poderiam atender os desejos reformistas da sociedade, principalmente do camponês. Para tanto recomendava a desmobilização das forças revolucionárias. O mesmo não pensava Zapata que não acreditava na possibilidade de se fazer reforma agrária sem estar-se em posse de armas. Este atrito, somado à rebelião de Pascoal Orozco no Norte, colocou Madero na dependência da camarilha militar porfirista não depurada pela revolução. Basicamente na clique chefiada pelo gen. Huerta.
Emiliano Zapata

A deposição de Madero

Aproveitando a debilidade e insegurança do regime de Madero, a contra-revolução lançou-se ao golpe. O Gen. Felix Díaz pega em armas contra o governo. O contestável do regime Maderista, o gen. Huerta, depois de dez dias de combate na capital, entrou num acordo com o gen. Rebelado. Este acordo foi realizado na embaixada americana (Pacto da Embaixada) sob tutela do diplomata Henry Lane Wilson. Huerta formaria um novo governo, provisório, enquanto Díaz se desmobilizaria. Madero seria afastado do poder, (o que foi feito em 9 de fevereiro de 1913). Huerta aproveitou e ordenou o assassinato de Madero e seu vice, Pino Suarez (22 de fevereiro).

O governo de Huerta

Para a maior parte dos revolucionários, com exceção de Orozco, a restauração do porfirísmo pelo gen. Huerta era intolerável. O Governador nortista Carranza, não reconheceu o novo governo e deu início à mobilização contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte onde reativa a sua célebre "Divisão del Norte" e Zapata no sul com seus índios. Forma-se o exército constitucional que visa reestabelecer o maderismo, sob liderança de Venustiano Carranza (Pacto de Torreón). 

Simultaneamente à revolução generalizada contra seu governo, Huerta ainda conhece a humilhação de uma ocupação americana do porto de Vera Cruz. Sem condições para resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.

Constitucionalistas contra os camponeses

Novamente o confronto de Zapata e Madero se repete. Agora é Carranza que se vê em dificuldades em aceitar as propostas camponesas. Mesmo assim é obrigado a enviar à Convenção um decreto de reforma agrária. 

Apesar do acordo entre Villa e Zapata (Pacto de Xoximilco) não conseguem coordenar uma ação em conjunto. Carranza reorganiza as forças militares e derrota Villa e Zapata, ao mesmo tempo que estabelece a pena de morte contra trabalhadores grevistas (1915/06).

O fim das lideranças camponesas

Depois de serem derrotados pelos federales sob o comando de Alvaro Obregón, vilistas e zapatistas entram em decomposição. Mal conseguiam manter suas lideranças em seu último reduto (Villa em Sonora e Zapata em Morellos).
Carranza procurou neutralizar essas poderosas lideranças, ordenando o assassinato de Zapata (que foi feito em Chinameca em 1919) e o acomodamento de Villa, que recebeu uma respeitável fazenda (sendo assassinado posteriormente, em 1923 provavelmente a mando de Calles). 

Mas os constitucionais compreendem perfeitamente que não poderiam desconhecer a questão agrária que estava no fundo da luta revolucionária. Os latifúndios foram limitados e a terra começou a ser entregue às comunidades camponesas.

A classe operária

Se os camponeses tiveram um presença constante na Revolução, os operários quase que primaram pela ausência. A classe operária sem tradição de luta e numericamente esquálida, submetida a uma liderança arrivista, terminou seguindo os vitoriosos. A presença organizada teve seu início em 1912 com a fundação da COM (Casa del Obrero Mundial) que foi invadida por Huerta e perseguida por Carranza. Finalmente os trabalhadores se colocaram ao lado do duonvirado? (Obregón-Calles) que governará o país de 1920 até 1934. Tendo sido reconhecido seu direito de formar sindicatos (de fato atrelados ao Estado e ao Partido governista).

A constituição de 1917

Após a neutralização das lideranças camponesas e da oligarquia, Carranza encontrou as condições para a aprovação de uma nova constituição que se tornou o documento máximo da Revolução de 1910. Foi considerada como uma das mais modernas e liberais Cartas Magnas da América Latina. Interessa-nos particularmente os artigos 30, 27, 123 e 130 que no seu conjunto estabelecem:
o ensino laico, ao encargo do estado preservando-se ainda um setor privado

a expropriação de terras não cultivadas em favor dos ranchos e dos ejidos
fixava as relações entre Capital e Trabalho, como por exemplo, a jornada de 8 horas, regulamentação do trabalho do menor e da mulher, salários iguais para tarefas iguais, direito de greve, organização sindical, justiça do trabalho para arbitrar os conflitos entre o Capital e o Trabalho
restringiu o poder da Igreja. O casamento civil foi tornado obrigatório e o único válido
secularização do clero, transformando os padres em trabalhadores comuns 
Esta constituição foi juridicamente uma obra de síntese entre a grande tradição liberal (separação da Igreja e do Estado, laicização do Estado) e a emergência do estado populista (o estado regulador dos conflitos ao mesmo tempo paternalista para com os assalariados).

A estabilização da revolução Obragón-Calles

Como assassinato de Carranza em 1920, o poder refluiu para dois caciques militares que haviam sido os bastiões do constitucionalismo, os generais Obregón e Calles. No período que se segue houve uma momentânea atomização do poder com a emergência de caudilhos militares provinciais. Em sua luta contra Villa e Zapata, Carranza foi obrigado a ceder poderes a chefes federais que atuavam com independência do poder central, apesar de formalmente se proclamarem fiéis à unidade e ao constitucionalismo. A oportunidade para reunificar o país e implantar a centralização revolucionária surgiu quando ocorreu a rebelião do caudilho militar De la Huerta. O fracasso da rebelião serviu de pretexto para que o duunvirato exterminasse fisicamente toda a alta hierarquia militar do exército mexicano (1923). Eliminou-se, assim, um foco de ambição e de instabilidade que as camarilhas militares tanto produzem na história da América Latina.
Os cristeros: Depois da sufocação do de la huertismo, Calles atacou de rijo a Igreja. Apesar das determinações de secularizar o clero e a educação, estas determinações de fato não estavam sendo obedecidas. Aproveitando-se de um incidente com o clero, Calles declarou guerra à Igreja. O conflito entre a Igreja e o Estado transformou-se num enfrentamento armado com a rebelião dos cristeros, fiéis defensores do clero católico que se estendeu por três anos (1926 - 9), até seu esmagamento pelas forças do Estado.

Os bastiões do novo regime

Sociedade: Emergiu com a revolução uma nova burguesia, que se apropriou das terras e que iniciou um processo de integração capitalista mais acelerado no país. A aristocracia fundiária havia sido ferida de morte.
Com esta burguesia, apoiando-a, sedimentou-se a classe média rural (em torno dos ranchos) e os índios proprietários dos ejidos (que chegam a 53% das terras). 

Os trabalhadores, organizados em sindicatos atrelados ao partido e aos Estado formam com os outros setores um pacto social de longa duração (nova burguesia, classe média rural, comuneros e trabalhadores).

Politicamente: O poder central se estrutura graças ao controle que o partido da revolução (hoje, PRI) proporciona. O PRI controla os sindicatos patronais e trabalhistas, bem como o acesso aos cargos públicos. As eleições são uma manobra rotineira apenas para legitimar os acordos previamente estabelecidos pelos caciques do PRI. Este partido tem mostrado flexibilidade bastante para conviver tanto com a política reformista e nacionalista de Lázaro Candenas, como com a política reacionária de Alemán ou Vicente Lopes Mateo. Talvez é esta flexibilidade que explique a longa durabilidade deste regime, o mais estável da América Latina.

Exposição "Dilúvio"

30 Anos da Editora Miguilim


Desenhos da capa do livro A bruxa Zambaia
A editora Miguilim que atua no mercado editorial infanto-juvenil mineiro e brasileiro completa três décadas de produção literária no mês de setembro. Na programação das comemorações, uma exposição, palestras, oficinas, narração de histórias e lançamento de livros na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, em BH. A programação é free.
No dia 1º de setembro, sábado, às 11h, haverá o lançamento do livro “Kids & Songs: para cantar em inglês”, com apresentação do coral infantil do Colégio Nossa Senhora das Dores.
No dia 5, quarta-feira, às 14h, haverá a oficina “A literatura infanto-juvenil e a pedagogia do deslumbramento”, com a escritora Joana Cavalcanti, autora do livro “As setes saias da lua”, voltada para educadores, bibliotecários e contadores de histórias.
No dia 15, sábado, às 10h, a narradora de histórias Aline Cântia e o instrumentista Chicó do Céu fazem a Hora do conto e da leitura, com narração de histórias, leitura e musicalização a partir das obras literárias da Miguilim.
Já no dia 20, quinta-feira, às 19h, a professora da PUC Minas Maria de Lourdes Gouveia dá palestra sobre a palavra escrita no contexto do mundo grego arcaico, a partir do texto “Bem te conheço voz errante nas quebradas/manténs vivas as coisas nomeadas”.
No dia 22, sábado, às 10h, a oficina “Quadrinhos rasos”, com os quadrinistas Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, autores do premiado “Achados e perdidos”, da Miguilim, propõe uma iniciação ao processo de criação de quadrinhos, com exercícios práticos.
No dia 27, quinta-feira, às 19h, haverá o lançamento da antologia “Adolescência & Cia”, de escritores do Coletivo 21. Em seguida, haverá bate-papo com os autores.
Como encerramento das atividades, a arte-educadora e contadora de histórias Sandra Bittencourt recebe o público para a palestra “Andar entre livros: leitura em família” no dia 29 de setembro, sábado, às 10h.
Como forma de homenagear escritores e leitores da Miguilim, a exposição “Atrás das páginas” mostra os bastidores da produção de um livro. Também estarão expostas pinturas rupestres, considerados os primeiros registros da escrita, e as etapas do processo de impressão, desde a prensa de Gutemberg até os equipamentos de última geração. Grupos escolares poderão agendar, pelo telefone (31) 3269-1223, visita guiada entre os dias 10 e 24 de setembro, às 14h30, seguida de narração de histórias com Beatriz Myrrha.
Programação: 
Dia 1º (sábado), às 11h – Apresentação do coral infantil do Colégio Nossa Sra. das Dores e lançamento do livro “Kids & Songs: para cantar em inglês”
De 4 a 29 – Exposição “Atrás das páginas”
Dia 5 (quarta), às 14h – Oficina “A literatura infantojuvenil e a pedagogia do deslumbramento”
De 10 a 24, às 14h30 – Visitas guiadas à exposição “Atrás das páginas”
Dia 15 (sábado), às 10h – Hora do conto e da leitura
Dia 20 (quinta), às 19h – Palestra “As coisas nomeadas”
Dia 22 (sábado), às 10h – Oficina “Quadrinhos rasos”
Dia 27 (quinta), às 19h – “Lançamento da antologia “Adolescência & Cia” e bate-papo com autores do Coletivo 21
Dia 29 (sábado), às 10h – Palestra “Andar entre livros: leitura em família”
Dias 1º, 4, 5, 10, 15, 20, 22, 27 e 29 de setembro de 2012
Ver programação
Local: Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa
Praça da Liberdade, 21
Telefone: (31) 3269-1223
Entrada free
Inscrições para oficinas e palestras pelo e-mail divulgacao@editoramiguilim.com.br ou pelo telefone (31) 3269-1223.

Espetáculo "Gringa Errante"


O projeto Diversão em Cena promove no sábado, 1º de setembro, sessão única do espetáculo infantil “Gringa Errante”. A apresentação está marcada para às 16h na Praça JK e tem entrada free.
“Gringa Errante” é um espetáculo dirigido e encenado pela atriz, palhaça e bonequeira, Genifer Gerhardt. A peça conta a história de Palitolina Russo, uma palhaça magrela que tem pernas compridas e finas. Trabalhando com bonecos, muitas cores e gestos, a atriz conquista atenção e aplausos de pessoas de todas as faixas etárias. A atriz busca um trabalho bem próximo ao público, convidando a plateia para fazer parte do espetáculo.
Genifer Gerhardt é palhaça, bonequeira e professora de teatro formada pela Universidade Federal da Bahia. Já participou de diversos festivais no Brasil e realizou apresentações na Europa.
1º de setembro de 2012
Sábado às 16h
Local: Praça JK
Endereço: Av. Bandeirantes s/n, Sion – Belo Horizonte/MG
Entrada free

Exposição "A Dor Bordada na Carne"


Sem Título - Mazzilli - 2010
No sábado, dia 1º de setembro, o artista plástico Domingos Mazzilli Júnior apresenta, em ambiente virtual, oito vídeos da exposição Carne. Os vídeos têm em comum a estranheza da carne, que, ora aparece bordada, ora com pérolas, agulhas a alfinetes. Nestas obras, o artista homenageia alguns nomes da arte contemporânea brasileira como Leonilson, Artur Barrio, Nazareth Pacheco e Bispo Rosário. A exposição é o terceiro ato da trilogia da dor do artista. Os vídeos estarão disponíveis no site www.mazzilli.art.br
Dia 1º de setembro de 2012
Sábado
Os vídeos poderão ser visualizados no site www.mazzilli.art.br, no canal www.youtube.com/mazzillijr ou na página do Facebook www.facebook.com/mazzilli.mazzilli

Bate-Papo sobre a Cultura Brasileira na Casa Una de Cultura


Casa Una
A Casa Una de Cultura promove na sexta-feira, 31 de agosto, às 20h30, um bate-papo sobre a política cultural brasileira e seu reflexo no trabalho dos artistas, sobretudo no que tange as leis de incentivo à cultura. O evento é gratuito, com capacidade para 60 pessoas e acontecerá na sede da Casa. Os interessados em participar devem retirar senha com meia hora de antecedência.
O encontro será mediado pela curadora da Casa Una, Izadora Fernandes, e a mesa será composta por renomados artistas como Dudude Hermann (bailarina e pesquisadora); Eduardo Moreira (ator e diretor do Grupo Galpão); Margô Assis (bailarina e pesquisadora); Regina Melo (artista plástica e criadora do Museu da Poesia) e Julia Panadés (artista plástica e professora da Escola Guignard).
De acordo com a curadora, os convidados irão falar sobre suas experiências dentro desse cenário de Leis de Incentivo destacando os pontos positivos e negativos dos mecanismos de incentivo na elaboração de suas propostas artísticas.
O evento será encerrado com uma bela performance da multi-artista Christina Fornaciari.
31 de agosto de 2012
sexta-feira às 20h30
Local: Casa Una de Cultura
Rua Aimorés, 1451
Casarão – 2º andar
www.casauna.com.br
Mais informações pelo telefone: 31|3235-7314.

XIII Mostra Interna da Escola Guinard/UEMG


Escola Guignard
A Escola Guignard/UEMG promove a XIII Mostra Interna entre os dias 24 de agosto e 6 de setembro. Criada há 13 anos, a iniciativa pretende revelar novos talentos e abrir discussão sobre a produção da arte contemporânea dos estudantes da escola. Ao longo dos anos, o evento busca consolidar a Escola Guignard/UEMG, que já revelou nomes atuantes nas artes plásticas, como uma das escolas de arte mais importante do país.
As 16 obras desta edição foram selecionadas por cinco artistas – Francisco Magalhães, Sávio Reale, Francisca Caporali, José Paulo Neves e Júnia Penna.
24 de agosto a 6 de setembro de 2012
Segunda a sexta de 9h às 12h e de 14h às 21h
Local: Galeria Escola Guignard/UEMG
Ruas Ascânio Bulamarque, 540 – Mangabeiras
Informações: 31 3194-9310 | 31 8735-0665
Entrada free

5ª Audiência Pública para a Construção do Programa de Direitos Humanos

Governo do ES realiza última audiência pública sobre Programa e Plano Estadual de Direitos Humanos

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Série Concertos na Cidade 2012


Coral Lírico de Minas Gerais Foto Paulo Lacerda
Na quinta-feira, dia 30 de agosto, o Coral Lírico de Minas Gerais, um dos corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado, dá continuidade à série Concertos na Cidade com apresentação no Museu Inimá de Paula. Sob a regência de Lincoln Andrade, o concerto acontece às 20h e tem entrada free.
O Coral Lírico inicia o concerto com a Ave Maria, de Franz Biebl, escrita para 8 vozes. Em seguida, o público poderá conferir Magnificat, de Arvo Pärt; Skin e Gong-Gong, de Bob Chilcott e o Salmo 42, de Felix Mendelssohn, uma cantata em 8 movimentos que incluem coros, recitativos e árias. O concerto será finalizado com o coro de abertura do ato II da ópera A Viúva Alegre, de Franz Lehár, que será apresentada no Palácio das Artes em outubro.
A noite conta, ainda, com a participação do pianista Wagner Sander e da solista Lilian Assumpção (soprano).
30 de agosto de 2012
quinta-feira às 20h
Local: Museu Inimá de Paula
Rua da Bahia, 1201 – Centro
Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 8 anos
Entrada free
Informações: 3236-7400

terça-feira, 28 de agosto de 2012

I Semana de Psicologia UNISUAM





O Curso de Psicologia, em comemoração aos 50 anos da Psicologia no Brasil, realizará a I SEMANA UNISUAM DE PSICOLOGIA & V FÓRUM DE PRÁTICAS PSI sob o tema “Violência e Saúde”. O evento contará com a presença de psicólogos e pesquisadores renomados que atuam em diversas áreas de saber da Psicologia.

São três dias de: Mesas-Redondas, Debates, Oficinas, Teatro, Palestras, Exposições e Workshops. Na noite do dia 27/08, todos os participantes estão convidados para a FESTA PSI-50 em comemoração aos 50 anos da Psicologia no Brasil.

Objetivos do evento:
- Propiciar um espaço de debates e troca de experiências entre acadêmicos, docentes, profissionais da área e comunidade local;
- Atualizar profissionais e acadêmicos de Psicologia em relação às tendências da profissão no século XXI;
- Divulgar as Práticas Psi realizadas no Curso de Psicologia da UNISUAM.

Público-alvo:
- Estudantes e profissionais de Psicologia;
- Estudantes e profissionais de Ciências Sociais e Humanas;
- Comunidade local.

PROGRAMAÇÃO

Evento satélite - Mostra do Museu do Inconsciente – de 27/08 a 13/09/2012 – Local: Centro Cultural UNISUAM - CCULT.
  • Segunda, 27/08

    9h – 9h30: Mesa de abertura
    Profª Ms. Maria Angélica Gabriel (UNISUAM)
    Profª Miriam Burd (ABMP/RJ)
    Profª Dra. Patrícia Constantino (UNISUAM/FIOCRUZ)
    Local: Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    9h30 – 11h: Mesa-Redonda – “Violência e Saúde”
    Coordenação da Mesa: Profª Ms. Maria Angélica Gabriel (UNISUAM)
    Componentes da Mesa: Profª Miriam Burd (ABMP/RJ) e Profª Dra. Monique de Assis (UNISUAM/UGF)
    Local: Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    11h – 12h: Palestra - “Psicologia e Meio Ambiente”
    Palestrante: Profª Ms. Nilzete Ferreira (UNISUAM)
    Debatedora: Dra. Clélia Christina Mello-Silva (FIOCRUZ)
    Local: Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    14h – 18h30: Oficina de Arteterapia: Vivendo Emoções
    Profª Dra. Jane de Oliveira Pinto Caldas (UNISUAM)
    Local: Sala 201 – bloco A

    14h - 16h30: Exposição de Neuropsicologia
    Profª Rita Walchan
    Local: Pátio Principal
    19h – 20h: Teatro: A Guerra dos SentimentosCoordenação: Profª Rita Walchan (UNISUAM)
    Local: Auditório Amarina Motta
    20h – 21h30: Palestra: Violência e SaúdeProfª Dra. Patrícia Constantino (FIOCRUZ/ UNISUAM)
    Local: Auditório Amarina Motta
    21h30: Festa em comemoração ao Dia do PsicólogoLocal: Auditório Amarina Motta
  • Terça, 28/08

    9h - 12h : Projetos de Pesquisa e Extensão do Curso de Psicologia da UNISUAM
    Local:
     Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    9h30 – 11h: Projeto de pesquisa: “Criando e recreando: a criatividade relacional no espaço escolar”
    Coordenação: Profª Dra. Rachel Shimba Carneiro
    Profª Dra. Monique de Assis
    Profª Ms. Maria Angélica Gabriel

    Projeto social: “Transformando e ressignificando vidas nas prisões”
    Coordenação: Profª Ms. Maria Angélica Gabriel

    Projeto social: “Acolher, avaliar e encaminhar para atendimento em saúde mental infanto-juvenil”
    Coordenação: Profª Ms. Nympha do Amaral

    14h – 18h: Oficina de Testagem Psicológica
    Avaliação de Estresse, Habilidades Sociais e Orientação Profissional
    Coordenação: Profª Dra. Ana Carolina Bastos (UNISUAM) e Prof. Ms. Alberto Filgueiras (UNISUAM)

    18h30 - 21h: Psicologia UNISUAM: Atendimento Clínico à Comunidade Local
    Local: Auditório Amarina Motta
    Projeto Mulher: “Resgatando a autoestima”
    Coordenação: Profª Doralice Guerra

    Projeto Social: 
    “Promovendo saúde com famílias”
    Coordenação: Profª Dra. Monique de Assis

    Apresentação de Caso Clínico: “Avaliação diagnóstica de crianças no Serviço de Psicologia da CLESAM”
    Coordenação: Profª Dra. Monique de Assis
  • Quarta, 29/08

    9h – 11h: Cinema e Sociopatia
    Roteiro: Criminosos no imaginário popular; O perfil sociopata na vida cotidiana; Civilização e núcleos sociopáticos; Um breve panorama de personalidades sociopáticas que marcaram a história.
    Prof. Paulo Rogério Ferraz (Divã Cultural)
    Local: Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    11h – 12h: Palestra: O psicólogo em Instituições de SaúdeFernanda de Sena Reis (Hospital Memorial Fuad Chidid/USU)
    Local: Auditório Prof. Arapuan Medeiros da Motta

    14h – 16h: Grupo de Acolhimento: Trabalhando a autoestima
    Coordenação: Profª Dra. Doralice Nogueira Guerra (UNISUAM)
    Local: Sala 201 – bloco A

    16h - 17h30: Psicodrama: Vivenciando Emoções
    Profª Ms. Marisa Mendes (CEREICH)
    Local: Sala 201 – bloco A

    18h - 19h: Noite de Autógrafos: Psicóloga Maria Márcia Badaró Bandeira (CRP)
    Lançamento do livro “Sistema prisional: Contando e recontando histórias –
    As oficinas de leitura como processos inventivos de intervenção”
    Local: Centro Cultural UNISUAM - CCULT

    19h - 20h: Palestra: O Corpo no Processo Terapêutico
    Profª Ms. Marisa Mendes (CEREICH)
    Local: Auditório Amarina Motta

    19h - 20h: Mesa-Redonda: A Psicologia no Sistema Prisional
    Coordenação: Profª Newvone Ferreira da Costa (SEAP/UNISUAM)
    Componentes da Mesa: Prof. Ms. João Delfim (TJ/RJ), Profª Maria Márcia Badaró Bandeira (CRP/RJ); Profª Vilma Martins de Oliveira (SEAP/RJ)
    Local: Auditório Amarina Motta

    Exposição de Testes Psicológicos
    Data:
     28/08
    Horário: 9h às 20h
    Local: Pátio Principal
    Organização: Mago Psicotestes

    Exposição “Memórias da Loucura”
    Data:
     29/08 a 13/09
    Local: Centro Cultural UNISUAM - CCULT
    Organização: Museu da Saúde

    • I SEMANA DE PSICOLOGIA UNISUAM - V FÓRUM DE PRÁTICAS PSI
      Dias: 27 a 29 de agosto de 2012
      Horário: das 9h às 21h30
      Local: UNISUAM – Av. Paris, 72 – Bonsucesso
    • Valor da inscrição: R$15

Exposição "México de Marcel Gautherot"




O Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas abriu no dia 16 de junho a exposiçãoO México de Marcel Gautherot, com 60 imagens do fotógrafo feitas entre os anos de 1936 e 1937. As fotografias apresentadas nessa exposição apontam claramente para algumas das principais vertentes da produção fotográfica de Marcel Gautherot no Brasil, ao mesmo tempo que revelam a forte influência do mexicano Manuel Álvarez Bravo em seu trabalho. As obras expostas integram o acervo de Marcel Gautherot, preservado no Instituto Moreira Salles e composto majoritariamente por sua produção de mais de 25 mil imagens realizadas no Brasil entre 1939 e 1996.

Marcel André Félix Gautherot (1910-1996) nasceu em Paris, filho de pai operário e mãe costureira. Já trabalhando como aprendiz de um arquiteto, sua instrução formal em artes e arquitetura iniciou-se em 1925, aos 15 anos, quando ingressou na École National des Arts Décoratifs, atual École National Supériore des Arts Décoratifs (Ensad), no curso noturno de arquitetura (que não chegaria a concluir). É neste período também que manifestou seu interesse pela fotografia.

Durante a década de 1930, Gautherot aproximou-se da Alliance Photo em Paris, primeira agência fotográfica francesa de alcance internacional, onde outros fotógrafos de renome se destacavam: René Zuber, Emeric Feher, Pierre Boucher e Pierre Verger. Em 1935, Gautherot participou da exposição Affiche Photo Typo, que reuniu fotógrafos da Alliance Photo e designers como Le Houerf e Robert Pontabry.

Um ano depois, em 1936, Gautherot tornou-se colaborador do Museu do Homem, no palais de Chaillot em Paris, projetando, em 1937, juntamente com Robert Pontabry, a nova sala de cinema do espaço, e dedicando-se também à organização do acervo e à estruturação dos serviços fotográficos do museu, em parceria com Pierre Verger. 

No final de 1936, a serviço do Museu do Homem, ele viaja para o México, onde permanece por alguns meses, até o início de 1937, fotografando suas diversas regiões e culturas. Durante esse período, conheceu o fotógrafo Manuel Álvarez Bravo e sua esposa Lola. Gautherot posteriormente diria que Álvarez Bravo e Henri Cartier-Bresson “eram seus fotógrafos de referência”.

Em 1939, Gautherot veio ao Brasil, também a serviço do Museu do Homem. Em 1940, se estabeleceu definitivamente por aqui. No Rio de Janeiro, então capital do país, Gautherot rapidamente travou relações de amizade com um círculo de intelectuais e artistas que, em breve, assumiriam lugar de destaque na cultura brasileira. Na sede do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), fundado em 1937 e alojado no prédio do Ministério da Educação e Saúde, Gautherot conheceu Rodrigo Melo Franco de Andrade, grande intelectual e diretor da instituição, que logo integrou o expatriado a seus projetos de documentação fotográfica do patrimônio, particularmente do período colonial. Os projetos promovidos pelo Sphan, em especial durante o período em que Gustavo Capanema esteve à frente do Ministério da Educação e Saúde Pública, eram regidos pela busca da construção de uma identidade nacional. Capanema vinculava ainda a preservação do patrimônio colonial, em especial do barroco mineiro, à arquitetura moderna que então se desenvolvia no país.

Assim, a partir da década de 1940, Gautherot viu-se às voltas com os grandes esforços de documentação do Sphan, particularmente em torno da arquitetura barroca de Minas Gerais e, em particular, da obra de Aleijadinho, em Congonhas do Campo.

O que surpreende na obra de Gautherot é sua diversidade, realizando uma fotografia humanista e documental, de forte viés etnográfico, ao mesmo tempo em que produz um dos mais significativos trabalhos no campo da fotografia de arquitetura, como, por exemplo, o seu trabalho sobre a construção de Brasília.
O México de Gautherot
De 16 de junho a 18 de novembro de 2012
Horário de visitação: de terça a domingo, das 13h às 19h
Instituto Moreira Salles – Poços de Caldas
Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados; tel.: (35) 3722-2776
Entrada franca; estacionamento gratuito no local